Humanização

Palhaços promovem saúde e bem-estar a pacientes da Rede Hospitalar Ebserh

seg, 08/07/2019 - 15:57

Terapia do riso é incentivada com vistas a potencializar o tratamento e os resultados terapêuticos positivos

O foco é levar alegria aos pacientes, fazendo com que deixem de lado, mesmo que momentaneamente, suas dores e angústias

Brasília (DF) – Aos 17 anos de idade, após perder o pai e terminar um namoro, o norte-americano Hunter Doherty Adams entrou em depressão e foi internado em uma clínica psiquiátrica, onde percebeu que o bom humor e o amor auxiliam no tratamento de doenças físicas e psíquicas. Então, ele formou-se em medicina e criou uma metodologia revolucionária para a época (meados para fim do século XX) como nova terapêutica para seus pacientes, utilizando ações de humanização, brincadeiras e dedicação ao próximo. Começava ali o que viria a ser conhecida como terapia do riso ou palhaçoterapia.

A vida do médico foi retratada em Hollywood pelo filme “Patch Adams: o amor é contagioso”, estrelado por Robin Williams, e seu exemplo é seguido nos dias de hoje por milhares de voluntários em todo o mundo, inclusive no Brasil. Mas com o passar do tempo, essa atividade de humanização não se restringiu ao circo e desdobrou-se em ações com diversas temáticas, seja com palhaços, príncipes e princesas ou personagens variados que povoam o imaginário infantil. Na Rede Hospitalar Ebserh, a terapia do riso é incentivada por meio de parcerias com grupos e organizações sociais, com vistas a potencializar o tratamento e os resultados terapêuticos positivos dos pacientes.

Hayslla Fuliotto - Humap-UFMS/Ebserh

O resultado é visível, como pode ser percebido no caso da pequena Hayslla Fuliotto, que foi internada no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/Ebserh) devido a complicações provenientes de uma pneumonia mal curada, sendo necessário um tratamento mais intensivo, que incluiu uma cirurgia para drenar o tórax. “Minha filha estava bem abatida e desanimada. Aí a ‘Liga do Bem’ [grupo de voluntários que atua na unidade] veio e ela se animou muito. Antes, ela não queria nem sentar, mas daí ela sentou na cama, brincou com personagens. Ela gostou mais da ‘Fera’ [do desenho da Disney ‘A Bela e a Fera’], tirou fotos só com ela, dizia que ela era a Bela”, conta a mãe da menina, Elaine Fuliotto.

O respeito é fator primordial nesse trabalho. Os voluntários não entram nos quartos se o paciente estiver em procedimento, dormindo ou não quiser a visita. Há ainda o cuidado para quartos compartilhados, onde todos os pacientes são consultados sobre a autorização, e mais do que isso, sobre o desejo de participarem das brincadeiras, que não têm idade. Enedina Nunes, de 70 anos, fa tratamento contra câncer no Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/Ebserh). Ao receber o grupo Laços da Alegria, entrou no clima. “Quando eles vêm, é muito bom, uma alegria para nós. Queria que tivesse todos os dias”, disse.

Voluntários

Grupo Pronto Sorriso

O desejo de se voluntariar e oferecer amor ao próximo é tão grande que há histórias curiosas. A jornalista Nayara Sousa, de 27 anos, sempre quis participar de ações humanitárias. Então, ela pesquisou no Google e encontrou algumas iniciativas, se inscrevendo logo em seguida. Em abril de 2018, em resposta à sua solicitação, Nayara recebeu o convite para participar do grupo Laços da Alegria, que realiza visitas no HUB-UnB/Ebserh desde 2014 e conta com 1.192 voluntários ativos e 868 na lista de espera. “Nosso foco é levar alegria aos pacientes, fazendo com que deixem de lado, mesmo que momentaneamente, suas dores e angústias”, afirma Nayara.

Outra voluntária é Ana Araujo, estudante do 8º semestre do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) que participa do Grupo Y de Riso, Sorriso e Saúde, projeto de extensão da Faculdade de Medicina da UFC que atua no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC-UFC/Ebserh) e na Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac-UFC/Ebserh). “Eu sentia falta de ações de humanização no currículo da Medicina. É um instrumento no qual eu acredito, pois o olhar do palhaço é bem diferenciado e, dentro do ambiente hospitalar, tem capacidade de causar grandes mudanças. Esse projeto me transformou profundamente, mudou minha perspectiva sobre várias coisas, fez desenvolver em mim uma nova postura de tratamento e de relação com o paciente. É uma experiência boa, enriquecedora e única”, analisou.

Outras ações

Atividades semelhantes são realizadas por todo o país. No Recife (PE), o Hospital das Clínicas (HC-UFPE/Ebserh) já recebeu o Projeto de Encontro e Riso Terapêuticos (Perto), parte do Programa Mais: Manifestações de Arte Integradas à Saúde. Em Aracaju (SE), os voluntários Anjos Humanizados realizam ações no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS/Ebserh). Em Santa Maria (RS), o projeto Só Riso leva descontração há aproximadamente oito anos ao Hospital Universitário (HUSM-UFSM/Ebserh).

Podem ser citados ainda o grupo Pronto Sorriso, que atua no Hospital das Clínicas da UFG (HC-UFG/Ebserh), em Goiânia; a Associação dos Voluntários do Hospital de Clínicas de Uberaba (HC-UFTM/Ebserh), em Minas Gerais; entre outros.

Sobre a Rede Hospitalar Ebserh

Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.

Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Hospitalar Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.

Fonte
Coordenadoria de Comunicação Social
Humap - UFMS
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