Exame de imagem

Pesquisa realizada em hospital da Rede Ebserh identifica forma de detectar lesão cerebral

qua, 06/11/2019 - 18:13

Danos causados pelo fungo foram estudados em pacientes atendidos no Hucam-Ufes/Ebserh ao longo de 41 anos

Esse tipo de identificação evita que as lesões sejam confundidas com tumores malignos e permite tratamento mais certeiro

Vitória (ES) – Uma pesquisa realizada com 24 pacientes atendidos no Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, vinculado à Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes/Ebserh), entre os anos de 1978 e 2019 evidenciou uma nova forma de identificar, por meio de exame de imagem, a manifestação da micose progressiva causada pelo fungo Paracoccidioides brasiliensis no tecido cerebral. 

A pesquisa apresenta os principais aspectos das lesões ocasionadas pelo fungo no sistema nervoso central dos pacientes, obtidas por meio de imagens de tomografia ou ressonância magnética. Esse tipo de identificação serve para evitar que as lesões da paracoccidiodomicose (PCM) – como é chamada a doença – sejam confundidas com tumores malignos no cérebro e permite diagnóstico e tratamentos mais certeiros.

O Ministério da Saúde aponta, em seu site, que a PCM é a principal micose sistêmica no Brasil. É provocada pela inalação do fungo Paracoccidioides spp. Está relacionada com o manejo do solo contaminado em atividades agrícolas, terraplenagem, preparo de solo, práticas de jardinagens, transporte de produtos vegetais, entre outras. Não há contaminação de pessoa para pessoa nem de animais para humanos. “A maioria dos indivíduos que adoeceram com a PCM apresenta história de atividade agrícola exercida nas duas primeiras décadas de vida”, indica o Ministério da Saúde.

Um dos pesquisadores, o professor de Radiologia da Ufes Marcos Rosa, explica que o fungo, presente no solo, pode ser inalado e se alojar nos pulmões. A consequência mais frequente são lesões no pulmão, na pele ​e nas mucosas, mas pode atingir outros órgãos se o fungo entrar na corrente sanguínea. A doença pode levar à morte se houver demora para iniciar o tratamento. “Em geral, os pacientes são agricultores que têm contato com o fungo. A pessoa pode desenvolver fibrose pulmonar, o que​ pode levar à insuficiência respiratória se não for tratada”, afirma o professor.

O artigo “Paracoccidioidomicose do sistema nervoso central: achados de imagem por tomografia computadorizada e ressonância magnética”, que já saiu na versão online da revista, está na edição de outubro da American Journal of Neuroradiology, uma das revistas mais renomadas na área de neurorradiologia do mundo. Os estudos foram conduzidos em parceria entre os professores da radiologia e da infectologia da Ufes, em conjunto com o Hucam. Participaram os professores Marcos Rosa e Paulo Peçanha, do Departamento de Clínica Médica; Aloísio Falqueto, do Departamento de Medicina Social; Sarah Gonçalves, do Departamento de Patologia; e Tânia Velloso, do Departamento de Clínica Odontológica.

Sobre a Rede Ebserh     

O Hucam-Ufes integra a Rede Ebserh desde abril de 2013. Estatal vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) administra atualmente 40 hospitais universitários federais.

O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas. A empresa, criada em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações em todas as unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.

Fonte
Com informações do Hucam e Supecc/Ufes
HUCAM - UFES
tumor
fungo
micose
lesão cerebral
pesquisa
estudo
hucam-ufes