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DOENÇA DE POMPE

DOENÇA DE POMPE

A doença de Pompe, também conhecida como glicogenose tipo II, é um distúrbio neuromuscular hereditário raro que causa fraqueza muscular progressiva em pessoas de todas as idades. Pode-se apresentar em três formas: Infantil, juvenil e adulta. Caracterizada pelo depósito lisossomal de glicogênio consequente à deficiência da enzima alfa-glicosidase ácida (GAA), de herança autossômica recessiva.  O problema não tem cura, mas existe tratamento que pode controlar a doença.

Estima-se que possam existir, no Brasil, de 1.000 a 3.500 pacientes com doença de Pompe. Apesar de pouco frequente, a doença apresenta impacto significativo, com alta morbidade e letalidade em sua forma infantil e alta morbidade em sua forma tardia.

A Doença de Pompe é causada por um gene defeituoso que leva à deficiência de uma enzima chamada alfa-glicosidade ácida (GAA). A ausência dessa enzima resulta no acúmulo excessivo da substância chamada glicogênio, uma forma de açúcar que é armazenada em um compartimento especializado de células musculares em todo o corpo.

Para que nossos músculos possam funcionar – e assim você consiga andar, pular, correr – estas células precisam da energia que é obtida através do glicogênio, que é uma especie de “açúcar” advindo de um processo metabólico por meio da alimentação. Este glicogênio é armazenado nas células em uma estrutura chamada lisossomo.

Para que as células do tecido muscular possam utilizar esta substância, este precisa ser disponibilizado através da ação de uma enzima chamada alfa-glicosidase ácida. É exatamente esta enzima que está reduzida ou mesmo em falta nos pacientes com Pompe. Assim, o glicogênio em vez de ser utilizado como “fonte de energia”, passa a acumular-se nos lisossomos, levando à destruição das células do tecido muscular.

As manifestações iniciais podem ocorrer intra-útero ou após a quinta década de vida, e a velocidade de progressão pode ser rápida e letal (forma infantil) ou extremamente lenta (forma tardia). A incidência total é estimada em 1:40.000 nascidos vivos, sendo a forma infantil menos frequente (1:138.000) que a forma tardia (1:57.000). O mecanismo principal da doença de Pompe é o acúmulo de glicogênio intralisossômico, resultando em seu acúmulo intracelular maciço. Com o avançar da doença, ocorre ruptura dos lisossomos e formação de "lagos de glicogênio" intracelulares, que estimulam a liberação de outras hidrolases no citoplasma, causando autofagia e morte celular. Os tecidos muscular e nervoso são os mais atingidos. No tecido muscular, observa-se a substituição das miofibrilas pelo glicogênio, com perda da contratilidade, hipotonia e consistência endurecida à palpação. No tecido nervoso, a infiltração do glicogênio atinge as células de Purkinje do cerebelo, neurônios corticais, células de Schwann de pequenos nervos do diafragma e, principalmente, neurônios motores do corno anterior da medula. A forma infantil surge nos primeiros meses de vida e é letal. Os primeiros sintomas ocorrem aos 1,6 meses de vida, em média e o diagnóstico é realizado em torno de 5,3 meses, e o óbito ocorre 2 meses após o diagnóstico, geralmente nos primeiros 8 meses de vida na ausência de tratamento.

Embora os efeitos da doença de Pompe variem de paciente para paciente, algumas generalizações amplas podem ser feitas.

Só em crianças: tipicamente têm fraqueza muscular extrema e uma aparência de relaxamento físico. Radiografias geralmente revelam um coração bastante aumentado. Outros sintomas incluem dificuldades respiratórias, dificuldades de alimentação e falha em cumprir os marcos de desenvolvimento como rolar e sentar-se eretamente.

Em crianças e adultos: tendem a ter maior variedade em seus sintomas, comumente incluindo fraqueza dos músculos do quadril e das pernas, o que leva a dificuldades com a mobilidade e a respiração. Pacientes mais velhos raramente têm os problemas cardíacos típicos em crianças.

Quando os sintomas aparecem pela primeira vez na infância ou na idade adulta,  podem progredir lentamente ao longo de muitos anos ou muito rapidamente. Devido ao curso da doença ser difícil de prever, a monitoração cuidadosa é importante para abordar alterações nas condições de saúde conforme seu surgimento.

Como trata-se de um distúrbio complexo e raro, a identificação da doença de Pompe pode ser desafiadora por diversos motivos. Como o distúrbio é muito raro, muitos médicos não se depararam com ele anteriormente e podem não pensar em considerá-lo como um diagnóstico possível.

Muitos sintomas de Pompe não são únicos dessa doença e, assim, ela pode ser facilmente confundida com outras doenças mais comuns. Devido à sua natureza progressiva, é importante diagnosticar a doença o mais cedo possível, de forma que o cuidado apropriado com o paciente possa ser iniciado imediatamente.

O diagnóstico etiológico definitivo é realizado através do ensaio da atividade enzimática da GAA e da genotipagem pelas técnicas de biologia molecular. A cromatografia de oligossacarídeos ou pelo achado de glicogênio GLc4 na urina pode também auxiliar o diagnóstico.

A introdução da Terapia de Reposição Enzimática (TRE) com a GAArh, em 2006, alterou o prognóstico da doença, mostrando-se capaz de estabilizar, ou até mesmo reverter as lesões causadas pelo acúmulo intracelular de glicogênio. Consiste na infusão quinzenal de um medicamento que contém uma ‘cópia’ da enzima que falta nestes pacientes. Quanto antes iniciado o tratamento, menor o impacto na qualidade de vida do paciente, porem o difícil acesso ao tratamento, por o Myozime ser um medicamento de alto custo, a dificuldade de começar o tratamento se torna mais complicada. Esta nova perspectiva de tratamento da doença de Pompe aumenta a necessidade do diagnóstico e tratamento precoce da doença, para prevenir o aparecimento de lesões irreversíveis e proporcionar aos pacientes boa sobrevida com qualidade de vida.

Além disso, pode ser associada outras terapias que auxiliam na manuntenção da capacidade funcional e qualidade de vida dos doentes. O tratamento fisioterapêutico é um importante aliado no tratamento da doença de Pompe, principalmente em sua forma tardia. Existem critérios a serem seguidos: pode-se trabalhar de forma a minimizar os sintomas e evitar danos maiores, trabalhando o fortalecimento muscular, com exercícios aeróbicos e exercícios em torno de 80% da capacidade física máxima junto com uma nutrição balanceada. O que pode ajudar na manutenção do glicogênio e nas funções que o acompanha, sempre respeitando a integridade estrutural e fisiológica do músculo.

Essa doença não apresenta ações preventivas, justamente por ser uma doença rara e ainda muito estudada por médicos de todo o mundo.

Por enquanto, a dica é manter a atenção nos sintomas que a doença apresenta e, assim que identificado um dos sinais do problema, a procura de um médico deve ser imediata, pois o diagnóstico precoce ainda é a melhor forma para avançar no tratamento da doença, que muitas vezes leva os pacientes ainda bebês ao óbito.

Existe um número crescente de organizações dedicadas a fornecer apoio à comunidade de pacientes com doença de Pompe e de outros que convivem com doenças genéticas. Algumas delas estão relacionadas abaixo:

ACADIM - Associação Carioca de Distrofia Muscular (www.acadim.com.br)
OAPD - Organização de Apoio a Portadores de Distrofia (http://www.oapd.org.br/pompe1.html)
AFAG - Associação dos Familiares, Amigos e Portadores de Doenças Graves (www.afagbrasil.org.br)

Fontes:
http://www.apmps.org.br/site/index.php/pompe/338-pompe
https://www.genzyme.com.br/Areas-de-Tratamento/Doenca-de-Pompe.aspx
http://www.saudemedicina.com/doenca-de-pompe/
http://www.oapd.org.br/pompe1.html

Elaborado por: Juliana Gomes de Carvalho e Kamila Coldibeli Morais
Revisado por: Cátia A. Lopes Nazareth e Rita de Cássia de Souza Silva
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