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Escore para alerta precoce

Escore para alerta precoce

O sucesso do atendimento ao paciente agudamente enfermo dependerá, logicamente, de seu correto diagnóstico. Porém, seja qual for o seu diagnóstico, se identificado precocemente, medidas implementadas terão maior efetividade, o que acarretará em um melhor prognóstico, tudo isto também com menor custo financeiro. Por isto, é vital que as instituições de saúde aperfeiçoem a capacidade de identificar precocemente os pacientes graves.

Enfrentamos todos os tipos de doenças no dia a dia do hospital. Vivenciamos histórias de pacientes que, durante seu internamento deterioraram, e, de um quadro clínico estável, evoluíram com complicações, muitas vezes fatais. Medidas simples, de baixo impacto financeiro, e de grande eficácia poderiam mudar a evolução se fossem tomadas no momento certo. O não reconhecimento precoce destas complicações, levam a piora da doença, e, nesta situação, mesmo adotando um conjunto de medidas complexas e de custo elevado, em um grande número de vezes, a resposta passa a ser lenta e nem sempre resulta em sucesso.

É possível identificar precocemente estes pacientes. Esta é a meta de programas que buscam a melhora da qualidade da assistência em hospitais ao redor do mundo. A “Campanha para salvar 5 milhões de vida” com a participação de entidades tidas como referência a nível mundial, defendem este tipo de estratégia1. Os pacientes apresentam “pistas”, totalmente perceptíveis, horas antes do quadro se tornar extremamente grave. Necessitamos aprender a sistematizar o reconhecimento para termos (e não perdermos) a chance de atuar de forma exemplar. Uma ferramenta utilizada para este fim é o “NEWS” (National Early Warning Score – Escore para Alerta Precoce -EPAP)2.

O Escore para Alerta Precoce (EPAP) é uma ferramenta que vem sendo utilizada para o reconhecimento precoce da deterioração dos pacientes2-8. Um exemplo da eficácia desta ferramenta foi publicado na revista Resuscitation em 20113. O trabalho compara, em oito anos, os chamados para atendimento de pacientes em parada cardiorrespiratória (PCR) nas enfermarias, além do número de pacientes admitidos no CTI após PCR antes e depois de ser implantado o escore para alerta precoce no hospital.

Apesar do aumento das admissões no hospital por ano em aproximadamente 10%, os chamados para atendimentos em PCR reduziram de forma significativa (p<0,0001), apontando para identificação mais eficaz do paciente instável, evitando a progressão para PCR. A mortalidade reduziu em 7,1%. Houve aumento das admissões na UTI, mas com redução do número de pacientes admitidos após PCR, apesar da maior gravidade dos pacientes pelo escore APACHE II. Ainda, houve redução da mortalidade daqueles pacientes admitidos após PCR.

O Escore para Alerta Precoce utiliza parâmetros fisiológicos para obtenção de uma pontuação, que aumenta de acordo com a alteração em relação a faixa da normalidade, conforme apresentado na tabela 1.


 

O Escore será definido pela soma das pontuações atingidas na avaliação do Sensório, da Temperatura, da Frequência Cardíaca, da Pressão Arterial Sistólica, da Frequência Respiratória, da Saturação Periférica de Oxigênio e da suplementação de O2.

Quanto maior a pontuação atingida nos parâmetros fisiológicos, maior será a pontuação alcançada no Escore. De acordo com a pontuação encontrada, duas ações são disparadas:
1) Definição da frequência dos controles dos sinais vitais adequada a criticidade do caso; e,
2) Comunicação aos profissionais envolvidos no atendimento do paciente para avaliação e definição de conduta.
A cada reavaliação, um novo plano de ação pode ser traçado. Porém, o bom senso da equipe deve se adequar à situação clínica, havendo troca de informações entre a equipe médica e a equipe de enfermagem. A comunicação entre os membros da equipe é fundamental na otimização do atendimento.
A Tabela 2 apresenta as ações planejadas.

A identificação precoce da deterioração do quadro clínico do paciente pode induzir a condutas resolutivas, evitando que o paciente prolongue sua permaneça no hospital. A implantação da ferramenta proposta permitirá a capacitação dos funcionários do HU-UFJF/EBSERH e proporcionará maior qualidade no atendimento dos pacientes. Como o HU é frequentado por profissionais de várias instituições da região, a partir dele, boas práticas de assistência podem ser disseminadas em toda região.

A missão do HU-UFJF é “formar Recursos Humanos, gerar conhecimentos e prestar assistência de qualidade na área de saúde à comunidade e região”. A implantação do Escore para Alerta Precoce proporcionará a melhora da assistência no hospital, um dos objetivos da missão do HU-UFJF. 

 

1.    5 million Lives Campaign. Getting Started Kit: Rapid Response Team How-to Guide: Cambridge, MA: Institute for Healthcare Improvement; 2008 (Available at www.ihi.org).
2.    Royal College of Physicians. National Early Warning Score (NEWS): Standardising the assessment of acute-illness severity in NHS. Report of working party. London: RCP.
3.    Moon A, Cosgrove JF, Lea D, Fairs A, Cressey DM. An eight year audit before and after the introduction of modified early warning score (NEWS) charts, of patients admitted to tertiary referral intensive care unit after CPR. Resuscitation 2011: 82: 150-4.
4.    Lam TS, Mak PSK, Siu WS, Lam MY, Cheung TF, Rainer TH. Validation of Modified Early Warning Score (MEWS) in emergency department observation ward patients. Hong Kong J. emerg. Med. 2006; 13: 24-30.
5.    Hammond NE, Spooner AJ, Barnett AG, Corley A, Brown P, Fraser J. The effect of implementing a modified early warning scoring (MEWS) system on adequacy of sign documentation. Australian Critical Care 2013; 26: 18-22.
6.    Alam N, Hobbelink EL, van Tienhoven AJ, van de Ven PM, Jansma EP, Nanayakkara PWB. The impact of the use of the Erly Warning Score (EWS) on patient outcomes: A systematic review. Resuscitation 2014; 85: 587-594.
7.    Fullerton JN, Price CL, Silvey NE, Brace SJ, Perkins GD. Is the Modified Early Warning Score (MEWS) superior to clinician judgment in detecting critical illness in the pre-hospital environment? Resuscitation 2012; 83:557-562.
8.    Kyriacos U, Jelsma J, Jordan S. Record Review to Explore the Adequacy of Post-Operative Vital Signs Monitoring Using a Local Modified Early Warning Score (Mews) Chart to Evaluate Outcomes. PLOS ONE 2014; 9:1-11. Disponível: http://www.plosone.org/article/fetchObject.action?uri=info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0087320&representation=PDF