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Especialista lembra a trajetória do HU no Dia Mundial de Parkinson

SAÚDE

Especialista lembra a trajetória do HU no Dia Mundial de Parkinson

O ambulatório de Parkinson é o único de Sergipe no SUS há mais de 20 anos em atividade

Em 1817, o inglês James Parkinson – nascido em 11 de abril de 1755 – publicou um ensaio sobre a “paralisia agitante”, que mais tarde seria reconhecida como a doença de Parkinson pela comunidade médica internacional. Com o passar dos anos, tornou-se imperiosa a necessidade de promover pesquisa e tratamento na neurologia. Em 1997, o Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), unidade hospitalar vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), foi pioneiro na instalação dum serviço para diagnosticar, tratar e acompanhar transtornos do movimento, e é exclusivo no Sistema Único de Saúde (SUS) estadual até hoje. Neste dia mundial para conscientização da doença, o coordenador do ambulatório de Parkinson do HU-UFS, Roberto Prado, lembra a trajetória de mais de 20 anos de serviço de referência e pontua questões emblemáticas de uma das doenças mais complexas da neurologia.

“O ambulatório de Parkinson do HU-UFS é integrado por uma equipe multidisciplinar, incluindo os residentes de neurologia. O nosso trabalho está desenhado, no seu funcionamento e na sua estrutura, para garantir o acesso de qualquer paciente do SUS que tenha encaminhamento médico com suspeita de Parkinson”, explica o neurologista Roberto Prado. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita que cerca de 1% da população com mais de 60-65 anos padece de Parkinson em todo o mundo. O Ministério da Saúde garante que, no Brasil, a prevalência da doença é de 100 a 200 casos a cada 100 mil habitantes.

Além da doença de Parkinson, o ambulatório do HU-UFS acompanha também pacientes com outros transtornos do movimento, oferecendo a possibilidade de administrar tratamentos altamente especializados, como é o caso da toxina botulínica. “No HU-UFS, conseguimos aplicar o famoso botox para tratar músculos enrijecidos em consequência dessas doenças que afetam o movimento. É um marco de excelência num serviço integralmente custeado pelo SUS”, orgulha-se Roberto.

Para levar a cabo o trabalho do ambulatório de Parkinson, a equipe multidisciplinar oferece, sempre às quintas-feiras pela manhã, consultas de primeira vez (marcadas com antecedência mediante encaminhamento médico) e de acompanhamento. “Atualmente, acompanhamos mais de 600 pacientes, entre portadores de Parkinson e outros transtornos do movimento, provenientes de todo o estado de Sergipe e também de municípios baianos e alagoanos”, relata o especialista. No caso dos pacientes de primeira vez, no sistema de triagem, a realização da consulta inaugural com o neurologista, que valorará o histórico clínico do interessado e a necessidade de fazer exames, é importante para traçar o tratamento que se considere mais adequado. O paciente do ambulatório de Parkinson do HU-UFS é acompanhado durante toda a sua vida.

Depressão

Tema da tese de doutorado de Roberto Prado, muitas pessoas diagnosticadas com Parkinson chegarão a apresentar sintomas de depressão, o que justifica a atuação dum psicólogo na equipe multidisciplinar de atenção ao paciente no ambulatório do HU-UFS. Apesar de a doença ser conhecida como um transtorno do movimento, a memória, o olfato, o sistema urinário e a qualidade do sono também podem ser afetados pelo Parkinson.

“A enfermidade é uma afecção progressiva. Isso quer dizer que a doença avança enquanto os pacientes experimentam diversos graus de limitações funcionais. Nesse sentido, o Parkinson tem um grande impacto na qualidade de vida do paciente e aumenta a chance de desenvolvimento duma depressão”, alerta o especialista.

Sobre o Parkinson

A doença de Parkinson é um tipo de transtorno do movimento. Ocorre quando as células nervosas não produzem suficiente quantidade duma substância química importante no cérebro conhecida como dopamina. Ainda não há pesquisas suficientes para comprovar um único fator de risco, genético ou não. Na verdade, a academia tem-se aproximado de resultados que demonstram a associação duma série de fatores propícios ao desenvolvimento da enfermidade.

A Academia Brasileira de Neurologia, através do Departamento Científico de Transtornos do Movimento, esclarece que os tremores são apenas um dos sinais do Parkinson, não sendo obrigatoriamente comum a todos os pacientes. É necessário observar, entre outros sintomas, se há dificuldade e vagarosidade na execução de tarefas habituais, como escrever, manusear talheres e abotoar roupas.

Sobre a Ebserh

Estatal vinculada ao Ministério da Educação, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) atua na gestão de hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do SUS, e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

A empresa, criada em dezembro de 2011, administra atualmente 39 hospitais e é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações em todas as unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.

Por Luís Fernando Lourenço

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