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Encontro de pesquisadores discute inovações e tecnologia em saúde

ENSINO E PESQUISA

Encontro de pesquisadores discute inovações e tecnologia em saúde

Servidores, residentes e estudantes das áreas assistencial e médica do HU-UFS participaram das palestras.

O Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), através do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (PPGCS), promoveu nesta sexta-feira, 14, duas palestras com pesquisadores estrangeiros, com foco em discussões de tecnologia e inovação em saúde. O evento, organizado pela coordenação do PPGCS, foi direcionado a profissionais, técnicos, estudantes e residentes do HU-UFS, unidade hospitalar administrada pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

Nas palavras do coordenador do PPGCS, Ricardo Gurgel, “temos de valorizar as novas tecnologias em saúde e os benefícios que elas trazem”. Ademais, o docente explicou que um grupo de pesquisa está nascendo dos contatos que o PPGCS tem mantido com pesquisadores do Reino Unido e do Quênia. “A pesquisa sobre inovação e tecnologia em saúde fomenta a interação entre as mais diferentes ideias. Nesse sentido, os resultados desse grupo de trabalho podem, no futuro, ser implementados no HU-UFS”, destacou.

Desafios e possíveis soluções na economia da saúde

O professor de Economia da Saúde da Universidade de Warwick (Reino Unido), Jason Madan, trouxe reflexões sobre economia da saúde com enfoque em países de baixa e média renda, mencionando alguns resultados de pesquisas realizadas. “Se você vai comprar um sapato, um carro ou um apartamento, o valor da compra é analisado no sentido de se aquilo vale o que se cobra, e não simplesmente o valor que se vai pagar”, enfatizou o docente ao trazer conceitos diferenciados de custo, dinheiro e fontes.

Ao abordar os benefícios da comunicação digital, Jason asseverou que se fala muito sobre os problemas de saúde que as novas tecnologias da informação e da comunicação (TICs) trazem, mas pouco se discute sobre as soluções que elas podem proporcionar aos desafios enfrentados pelas ciências da saúde. Na análise sobre resultados de pesquisas levadas a cabo, o professor ressaltou a questão motivacional nas relações entre profissionais, demonstrando que a construção duma rede estável de prestação de serviços de saúde depende de como as pessoas são capacitadas para inovarem.

A solução que vem do celular

“Em alguns locais do Quênia, tínhamos problemas com registros médicos em papel. Havia uma verdadeira confusão nesses registros devido à falta de uma base única de preenchimento. Então, a implementação de carimbos-padrão e a possibilidade de leitura e arquivamento desses dados a partir de um aplicativo no celular refletiram, por exemplo, numa melhor gestão de prescrição e uso de antibióticos”, explicou o professor do Institute of Healthcare Management (Strathmore Business School, Quênia), Pratap Kumar.

O pesquisador do Quênia falou aos presentes sobre como o armazenamento digital de dados médicos e a prática da telemedicina vem mudando a realidade de alguns condados naquele país. “Em lugares onde a presença física do médico é um problema, podemos realizar consultas através de uma mídia digital conectada à internet. Mediante sistema eletrônico, é possível enviar eletrocardiogramas, por exemplo, a um especialista em qualquer lugar do mundo para que os analise e, se necessário, envie alertas aos médicos responsáveis pela atenção primária”, explanou.

Sobre a Ebserh

A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), estatal vinculada ao Ministério da Educação, administra atualmente 40 hospitais universitários federais, incluindo o HU-UFS. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

O órgão, criado em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações nos 50 hospitais que integram a rede. Além disso, atua em conjunto com as universidades federais para a gestão de seus respectivos hospitais.

Por Luís Fernando Lourenço

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