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“A medicina precisa ser humanizada’, diz especialista durante palestra no HUAC

O CUIDAR NA SAÚDE

“A medicina precisa ser humanizada’, diz especialista durante palestra no HUAC

Evento sobre cuidados paliativos incluiu visitas de cães à ala pediátrica do hospital

Uma plateia atenta assistiu, com entusiasmo, à palestra de abertura do I Fórum de Cuidados Paliativos do HUAC (Hospital Universitário Alcides Carneiro, vinculado à Universidade Federal de Campina Grande-UFCG e à Rede Ebserh), ocorrido na terça-feira (30). A explanação foi feita pelo professor doutor Edmundo Gaudêncio, que abordou o tema Cuidados Paliativos: porque eu importo! em que tratou de respeito, verdade, morte, ética e filosofia.

Um dos principais nomes da Paraíba nas discussões sobre cuidados paliativos, Edmundo Gaudêncio afirma que o ato de cuidar é, sobretudo, humano. “O cuidar é, antes de tudo, um ato social e histórico. Cuidar de alguém é, fundamentalmente, dispor-se ao diálogo. Cuidar é ser solidário”. O especialista também apresentou três componentes do tema: cuidar de si; cuidar do outro; cuidar do mundo. “Para cuidar do outro, eu preciso me cuidar e também cuidar do mundo”, disse.

Em vários momentos da palestra, Edmundo Gaudêncio relembrou o filósofo Emmanuel Lévinas como fundamentação para discutir a humanização na área de saúde. A partir desse conceito, é preciso enxergar o outro como indivíduo, com um rosto, individualidades, angústias e medos. “Se eu fosse dar um conselho, diria que a medicina precisa ser humanizada”, afirmou, destacando que o sofrimento, mais do que para os médicos, é matéria cotidiana dos enfermeiros, pois esses profissionais estão em maior contato com os pacientes. Gaudêncio também lembrou que ninguém existe sem o outro.

Outros filósofos, como Benjamin Constant e Immanuel Kant, também foram citados pelo palestrante, principalmente na abordagem sobre “o direito de mentir”, que ele associou ao dilema de falar ou não a verdade aos pacientes, principalmente em relação ao diagnóstico de doenças ou às pessoas que estão em processo de finitude humana.

A professora Glenda Agra, docente da UFCG e uma das coordenadoras do evento, também participou do I Fórum com a apresentação Compartilhando Saberes e Práticas em Cuidados Paliativos. “Culturalmente, fomos educados a não falar sobre a morte, mas precisamos tentar fazer com que o paciente entenda que a morte é um processo natural da vida”, observou, acrescentando que a borboleta é o símbolo dos cuidados paliativos. Segundo a palestrante, chega um momento do diagnóstico em que não há mais possibilidade de cura. Assim, o paciente vai enfrentar um “processo de metamorfose” em que, à semelhança da lagarta, passa por sofrimento até se “tornar borboleta”.   

Visita de onCÃOterapeutas

 O I Fórum de Cuidados Paliativos do HUAC também contou com uma apresentação musical, executada por alunos da UFCG sob a coordenação da professora Khívia Kiss, além de painel com palestras e uma visita especial de cães do projeto OnCãoTerapia a crianças internadas na ala de pediatria do Hospital Alcides Carneiro.  

Ainda na abertura, a titular da Gerência de Atenção à Saúde, Consuelo Padilha, falou em nome da superintendência do hospital, externando a satisfação e a alegria da instituição em promover o evento sobre cuidados paliativos. “A gente quer uma gestão voltada para o paciente. Nosso objetivo maior é o cuidado e esse momento de capacitação é muito importante”, declarou.

A chefe da Divisão de Gestão do Cuidado, Cândida Cavalcanti, também falou na ocasião. “Nossa expectativa é que daqui saiam frutos, com ênfase na sensibilização, e que a gente possa trabalhar, efetivamente, os cuidados paliativos no HUAC”.    

Angélica Lúcio - Jornalista HUAC-UFCG