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Conheça a trajetória de Rômulo Maroccolo

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Conheça a trajetória de Rômulo Maroccolo

Pioneiro da medicina em Brasília, o urologista faleceu dia 6 de março, aos 92 anos

“Ele exerceu todos os papéis, de pai, marido, cunhado, filho, com muita dedicação. Foi um exemplo muito forte para mim, foi inspirador na profissão e como pessoa”, fala emocionado o médico urologista e chefe da Unidade de Transplante do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), Rômulo Maroccolo Filho, ao lembrar do pai que deu ao primeiro filho o nome dele.

Rômulo Maroccolo faleceu em casa no dia 6 de março, aos 92 anos, depois de uma parada cardíaca. Para a família e para quem conheceu o médico urologista, os anos dedicados à medicina se transformaram em saudade e são um exemplo a ser seguido. 

Casado com uma enfermeira e pai de quatro filhos, Rômulo falava da profissão com paixão. Não foi à toa que não só a medicina, mas a urologia, foi escolhida por dois filhos e quatro sobrinhos. Entre eles, Eduardo Ribeiro, sobrinho de Rômulo que atualmente é chefe da urologia no HUB. “Devo grande parte da minha formação a ele, que influenciou muito na escolha da minha especialidade. O comportamento dele, sempre muito ético, correto e dedicado aos pacientes, também influenciou muito”, conta Eduardo.

História
Nascido em 1924 na cidade de Estrela do Sul, em Minas Gerais, Rômulo Maroccolo mudou-se para o Rio de Janeiro em 1947. Foi lá que se formou em odontologia e medicina e fez uma especialização em urologia. Já como médico do Instituto dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, foi transferido para Brasília.

Rômulo Maroccolo foi um dos pioneiros da medicina na cidade. Em 1957, ele chegou à futura capital federal e se tornou o primeiro urologista de Brasília. Mas antes de exercer a especialidade, fez de tudo um pouco. A cidade ainda era um canteiro de obras e ele construiu um barracão que servia de casa e consultório. 

Nesse consultório, tinha cobras, besouros e escorpiões para ajudar os pacientes na identificação de picadas. Chegou a fazer um parto e atendia até gatos e cachorros. Trabalho que durou três anos.

Em 1960, foi inaugurado o Hospital de Base, na época chamado Primeiro Hospital Distrital de Brasília. Foi lá que Rômulo Maroccolo começou a atuar como urologista. Dois anos depois, o hospital deu início ao programa de residência médica em urologia, que teve Rômulo como coordenador. Rômulo Maroccolo fez parte do projeto até 1992, contribuindo com a formação de muitos profissionais. 

HUB
Em 1972, Rômulo Maroccolo também foi pioneiro na construção do Hospital dos Servidores da União, primeiro nome dado ao atual Hospital Universitário de Brasília. Ele foi chefe da área de Clínica Cirúrgica e realizou, em 1977, o primeiro transplante de rim da região Centro-Oeste.

O professor e médico nefrologista Joel Russomano chegou ao HUB em 1980 e lembra do colega com carinho. “Ele era muito conversador, gostava de contar histórias, estava sempre alegre e disposto. Teve grande contribuição para a nefrologia e urologia da cidade”, comenta.

A aposentadoria de Rômulo veio em 1982, mas em 1998 voltou ao hospital como médico voluntário, onde permaneceu até 2010. Durante todo esse período, participou ativamente das reuniões de equipe do hospital e de momentos importantes do serviço.

Foi nessa época que Fransber Rodrigues, hoje coordenador da residência em urologia do HUB, fez a especialização no hospital. “Ele contribuiu muito na minha formação. Lembro da seriedade, correção e preocupação dele com a formação dos médicos e com a assistência aos pacientes”, lembra Fransber.

O chefe da Divisão Médica do HUB, Giuseppe Cesare Gatto, também conviveu com Rômulo Maroccolo no período em que ele era voluntário. “Ele sempre tinha casos interessantes para nos apresentar. Fez parte da história do HUB e do transplante e é importante para o hospital manter essa memória”, afirma Giuseppe.

Em 2006, com Rômulo Maroccolo Filho à frente do serviço de urologia, pai e filho realizaram o primeiro transplante de rim do hospital já com o nome de Hospital Universitário. Antes disso, o último tinha sido realizado pelo pai, em 1978.

“Uma semana antes do meu pai falecer, atendi no hospital a paciente que ele fez o segundo transplante há 40 anos. Ainda atendo outros pacientes antigos dele”, conta Rômulo Maroccolo Filho. “Ficam o exemplo e o legado. Esperamos manter o mesmo patamar, essa é uma preocupação dos filhos e sobrinhos”, completa.

Confira a seguir fotos que retratam parte da história de Rômulo

Imagens:

Assessoria de Comunicação do HUB