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HUB reúne especialistas em debate sobre cuidados paliativos

Mesa redonda

HUB reúne especialistas em debate sobre cuidados paliativos

Mais de 80 pessoas participaram da reflexão sobre questões médicas, jurídicas e éticas da assistência aos pacientes terminais

Paciente com diagnóstico de doença grave e sem possibilidade de recuperação mesmo após vários tratamentos agressivos, como em alguns tipos de câncer. Nessas situações, muitos se perguntam quando é a hora de apenas aliviar a dor com cuidados paliativos e esperar pelo fim da vida. A discussão, comum nos dias de hoje, foi o foco central do debate realizado pelo Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) na última terça-feira (13). Mais de 80 pessoas comparecem ao auditório 1 para refletir sobre as questões médicas, jurídicas e éticas relacionadas ao assunto.

“A proposta é proporcionar um debate transdisciplinar de temas da bioética que não se encerram na área jurídica ou da saúde”, afirmou o promotor do evento e chefe do Setor Jurídico do HUB, Bruno Wurmbauer Junior. No encontro, ele apresentou algumas resoluções de conselhos profissionais que tratam do tema e citou princípios da Constituição Federal que ajudam a proteger a realização de cuidados paliativos, como os direitos à saúde e à igualdade e o respeito à dignidade da pessoa humana.

Para o professor de Bioética da Universidade de Brasília (UnB), Volnei Garrafa, o Brasil carece de legislações específicas em diversos assuntos, a exemplo dos cuidados paliativos e da eutanásia, que é o direito de morrer. “O legislativo precisa abrir essa discussão para a sociedade poder ficar bem informada. Se o Estado não elaborar corretamente as leis, os profissionais e os familiares ficarão cada vez mais inseguros para decidir essas questões”, disse. Volnei ainda defendeu que todos os hospitais brasileiros tenham comitês de bioética para apoiar as decisões em caso de pacientes terminais.

A geriatra e integrante da equipe de cuidados paliativos do HUB, Cláudia Corrêa, apresentou um panorama geral sobre o tema. “Os cuidados paliativos estabelecem um plano que inclui os valores de vida do paciente e os limites da doença para trazer mais alívio e conforto no fim da vida. É preciso reconhecer os limites da medicina diante de uma situação irreversível e oferecer um adeus mais digno às pessoas”, declarou.

De acordo com o mediador do debate, o radioterapeuta e chefe da Unidade de Oncologia do HUB, Marcos Santos, estima-se que em 2030 o câncer seja a principal causa de morte do mundo – hoje, é a terceira, já que as pessoas estão vivendo mais e tendo mais chances de contrair neoplasias. “É preciso discutir o assunto para que isso se reverta em melhor cuidado ao paciente. Temos que saber quando tirar o pé do acelerador e propor alternativas ao paciente que não sejam curativas”, relatou. Na ocasião, Marcos aproveitou para lançar o livro “Bioética e humanização em oncologia”, do qual foi organizador.

Experiências
Muito do que foi debatido pelos participantes e pela mesa de especialistas fez parte da vida da técnica em enfermagem Maria Auxiliadora Pontes. O filho morreu vítima de câncer no ano passado, depois de passar pelo sofrimento do tratamento. “Foi um período muito difícil, porque eu não queria que ele fizesse o segundo ciclo de quimioterapia, mas ele quis fazer tudo o que a medicina oferecia a ele. Foi quando ele acabou falecendo”, contou. Hoje, ela acredita que cada pessoa tem o direito de escolher como quer morrer.

Enfermeira do Banco de Leite Humano do HUB, Tatiana Barbosa Maciel não tem experiência com o assunto, e foi por esse motivo que resolveu participar do evento. “Achei muito interessante envolver as duas áreas, médica e jurídica. Essa junção pode ajudar os dois lados a trabalhar com cuidados paliativos. Como não tenho experiência nisso, vim para ter mais conhecimento”, relatou.

Imagens:

Assessoria de Comunicação do HUB