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Pesquisa liderada pelo HUB inicia expansão para América Latina

Câncer

Pesquisa liderada pelo HUB inicia expansão para América Latina

Estudo avalia qualidade de vida de pacientes e custo-efetividade de tratamentos para tumor de cabeça e pescoço

O Dia Mundial de Combate ao Câncer, nesta sexta-feira (8), tem mais um motivo de celebração. O estudo iniciado há um ano e meio por pesquisadores do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) para avaliar a qualidade de vida de pacientes com tumores de cabeça e pescoço entra em nova fase. A pesquisa cresceu e ganhou adesão de estudiosos da Argentina. O próximo passo é a expansão para a Colômbia.

Outra novidade é a introdução de melhoria no questionário eletrônico de coleta de dados de pacientes, que permitirá identificar qual é a técnica de tratamento que apresenta melhor relação custo-benefício. “Poderemos afirmar não só se uma tecnologia leva a uma melhor qualidade de vida em comparação a outra, mas se essa melhora é ou não economicamente viável”, explica o radioterapeuta e chefe da Unidade de Oncologia do HUB, Marcos Santos, idealizador da pesquisa.

Inédito no país, o projeto pretende gerar dados confiáveis na literatura médica sobre quais são as melhores opções de tratamento para tumores de cabeça e pescoço, entre aquelas disponíveis, que possibilitem menor comprometimento da qualidade de vida do paciente e melhor aplicação de recursos financeiros.

“Hoje, não há dados disponíveis para dizer de fato qual é o melhor tratamento. Há várias opções disponíveis, entre radioterapia, quimioterapia e cirurgia, todas equivalentes do ponto de vista de curabilidade, mas não se sabe qual é a diferença dos efeitos secundários sobre os doentes nem o custo-efetividade dos tratamentos”, afirma Marcos.

Essas e outras questões foram discutidas pelos estudiosos no encontro anual do projeto, realizado dia 2 de abril, no Hotel Royal Tulip, em Brasília (DF). Participaram 25 pesquisadores de 20 instituições de saúde públicas e privadas que integram o projeto no Brasil e na Argentina. No total, são 25 unidades participantes. 

A oncologista do Hospital São João de Deus, da Fundação Geraldo Corrêa, em Divinópolis (MG), Aline Lauda Freitas Chaves, foi uma das profissionais a participar do encontro. “Esse é um estudo pioneiro, pois qualidade de vida não é um tema muito presente nas pesquisas médicas. Poderemos verificar se o valor gasto com determinado tratamento traz benefícios reais ao paciente, além de tentar entender o impacto disso na saúde pública brasileira”, diz.

Projeto HN43 Brasil
O questionário eletrônico aplicado aos pacientes tem 43 perguntas direcionadas à cabeça e pescoço, número que dá nome ao projeto, 30 sobre assuntos gerais e cinco relacionadas à avaliação econômica, totalizando 78. O nome ainda é formado pelas siglas H e N, que significam head e neck (cabeça e pescoço, em inglês, respectivamente).

Cada instituição de saúde levanta dados do mesmo paciente semestralmente, por um período mínimo de dois anos. Atualmente, a base de dados do estudo conta com 300 pessoas, sendo pelo menos 50 delas acompanhadas pelo HUB. A meta é chegar a mil pacientes avaliados na América Latina com câncer de cabeça e pescoço. 

A secretária executiva Daniela Rodrigues Cordeiro, de 33 anos, que realizou radioterapia contra um câncer de hipofaringe (a parte mais baixa do órgão) no HUB em 2015, participou da segunda entrevista do estudo na última terça-feira (5). “O pesquisador quer saber como estamos nos sentindo no dia a dia. O acompanhamento dos pacientes feito por meio dessa pesquisa é muito importante. Hoje estou ótima, faço caminhadas e as atividades de casa, mas conheço pessoas que fizeram o mesmo tratamento e tiveram efeitos colaterais bem piores”, conta.

Mais informações sobre o projeto: http://www.hn43brasil.com

Imagens:

Assessoria de Comunicação do HUB