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'Aposentadas' por antibióticos, larvas de mosca voltam a ser usadas para tratar feridas crônicas

CUIDADO DIFERENCIADO

'Aposentadas' por antibióticos, larvas de mosca voltam a ser usadas para tratar feridas crônicas

Hospitais nos EUA, Europa e América Latina, incluindo o Brasil, adotam versão modernizada da técnica que, segundo especialistas, têm ajudado na cura e evitado amputações.

Uma antiga forma de tratamento de feridas crônicas, que havia sido descartada com o surgimento dos antibióticos, está voltando a ser usada em alguns hospitais dos EUA, Europa e América Latina. No Brasil, ela vem sendo pesquisada em algumas universidades e é aplicada rotineiramente em pelo menos um hospital, o Universitário Onofre Lopes (HUOL), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Trata-se da terapia larval ou larvoterapia, que, como o nome sugere, é o uso de larvas, no caso de moscas, para a cicatrização de ferimentos recalcitrantes.

Elas agem na ferida por meio de quatro mecanismos: removem o tecido necrosado (morto), rompem o biofilme bacteriano (uma comunidade de microrganismos extremamente organizada que interfere muito no processo de reparação da ulceração), promovem o crescimento de tecido sadio e eliminam bactérias que causam a infecção.

Apesar de parecer repulsivo para muita gente, o tratamento tem se mostrado em alguns casos mais eficiente do que os medicamentos e cicatrizantes tradicionais.

"Todos os nossos pacientes que usaram a terapia apresentaram melhora significativa do processo infeccioso, tiveram suas feridas 'limpas' com rapidez, relataram que o odor (mau cheiro) da lesão desapareceu nas primeiras aplicações", garante Julianny Barreto Ferraz, enfermeira coordenadora da Comissão de Curativos do HUOL, onde o procedimento é usado desde 2012.

"Usamos as larvas da mosca da espécie Chrysomya megacephala, encontradas em todo o território brasileiro", diz.

 

Terapia antiga, abordagem nova

Ao contrário do que ocorria antigamente, a terapia larval moderna é feita em condições de assepsia muito melhores.

As moscas são criadas em laboratório e colocam seus ovos sobre material orgânico. As larvas estéreis são colocadas no interior das feridas, onde permanecem por 24 a 48 horas. Utilizam-se em média 20 delas por centímetro quadrado.

 

Sobre a Ebserh

Desde agosto de 2013, o HUOL-UFRN é vinculado à Rede Ebserh. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) administra atualmente 40 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

A empresa, criada em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações em todas as unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.

Por BBC