Hospital Universitário de Santa Maria - HUSM

Universidade Federal de Santa Maria - UFSM

Comissões Comissões

CIHCOT - Perguntas frequentes

O passo principal para você se tornar um doador é conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. Porém, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte. A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.
É a morte do cérebro, incluindo tronco cerebral que desempenha funções vitais como o controle da respiração. Quando isso ocorre, a parada cardíaca é inevitável. Embora ainda haja batimentos cardíacos, a pessoa com morte cerebral não pode respirar sem os aparelhos e o coração não baterá por mais de algumas poucas horas. Por isso, a morte encefálica já caracteriza a morte do indivíduo. Todo o processo pode ser acompanhado por um médico de confiança da família do doador. É fundamental que os órgãos sejam aproveitados para a doação enquanto ainda há circulação sanguínea irrigando-os, ou seja, antes que o coração deixe de bater e os aparelhos não possam mais manter a respiração do paciente. Mas, se o coração parar, só poderão ser doadas as córneas.
  • Ter identificação e registro hospitalar;
  • Ter a causa do coma estabelecida e conhecida;
  • Não apresentar hipotermia (temperatura do corpo inferior a 35°C), hipotensão arterial ou estar sob efeitos de drogas depressoras do Sistema Nervoso Central;
  • Passar por dois exames neurológicos que avaliem o estado do tronco cerebral. Esses exames devem ser realizados por dois médicos não participantes das equipes de captação e de transplante;
  • Submeter-se a exame complementar que demonstre morte encefálica, caracterizada pela ausência de fluxo sanguíneo em quantidade necessária no cérebro, além de inatividade elétrica e metabólica cerebral;
  • Estar comprovada a morte encefálica. Situação bem diferente do coma, quando as células do cérebro estão vivas, respirando e se alimentando, mesmo que com dificuldade ou um pouco debilitadas;

Observação: Após diagnosticada a morte encefálica, o médico do paciente, da Unidade de Terapia Intensiva ou da equipe de captação de órgãos deve informar de forma clara e objetiva que a pessoa está morta e que, nesta situação, os órgãos podem ser doados para transplante.

  • Córneas (retiradas do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidas fora do corpo por até sete dias);
  • Coração (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por, no máximo, seis horas);
  • Pulmão (retirados do doador antes da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por, no máximo, seis horas);
  • Rins (retirados do doador até 30 minutos após a parada cardíaca e mantidos fora do corpo até 48 horas);
  • Fígado (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por, no máximo, 24 horas);
  • Pâncreas (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por, no máximo, 24 horas);
  • Ossos (retirados do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por até cinco anos).
  • Medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue);
  • Pele;
  • Valvas Cardíacas.
Quando é reconhecido um doador efetivo, a central de transplantes é comunicada, pois apenas ela tem acesso aos cadastros técnicos com informações de quem está na fila esperando um órgão. Além da ordem da lista, a escolha do receptor será definida pelos exames de compatibilidade entre o doador e o receptor. Por isso, nem sempre o primeiro da fila é o próximo a receber o órgão.
As centrais de transplantes das secretarias estaduais de saúde controlam todo o processo, desde a retirada dos órgãos até a indicação do receptor. Assim, as centrais de transplantes controlam o destino de todos os órgãos doados e retirados.
É mentira. A diferença não dá para perceber. Aparentemente o corpo fica igualzinho. Aliás, a lei é clara quanto a isso: os hospitais autorizados a retirar os órgãos têm que recuperar a mesma aparência que o doador tinha antes da retirada. Para quem doa não faz diferença, mas para quem recebe sim!

Sim. Também existe a doação de órgãos ainda de pessoas vivas. O médico poderá avaliar a história clínica da pessoa e as doenças anteriores. A compatibilidade sanguínea é primordial em todos os casos. Há também testes especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso. Os doadores vivos são aqueles que doam um órgão duplo, como o rim, uma parte do fígado, pulmão ou um tecido, como a medula óssea. Este tipo de doação só acontece se não representar nenhum problema de saúde para o doador.

Para doar órgãos em vida é necessário:

  • ser um cidadão juridicamente capaz;
  • estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a saúde e aptidões vitais;
  • apresentar condições adequadas de saúde, avaliadas por um médico que afaste a possibilidade de existir doenças que comprometam a saúde durante e após a doação;
  • Querer doar um órgão ou tecido que seja duplo, como o rim, e que não impeça o organismo do doador de continuar funcionando;
  • Ter um receptor com indicação terapêutica indispensável de transplante;
  • Ser parente de ate quarto grau ou cônjuge. No caso de não parentes, a doação só poderá ser feita com autorização judicial.

Que órgãos e tecidos podem ser doados em vida:

  • Rim
  • Medula Óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue)
  • Fígado (apenas parte dele, em torno de 70%)
  • Pulmão (apenas parte dele, em situações excepcionais)
  • Pacientes portadores de insuficiência orgânica que comprometa o funcionamento dos órgãos e tecidos doados, como insuficiência renal, hepática, cardíaca, pulmonar, pancreática e medular;
  • Portadores de doenças contagiosas transmissíveis por transplante, como soropositivos para HIV;
  • Pacientes com infecção generalizada ou insuficiência de múltiplos órgãos e sistemas;
  • Pessoas com tumores malignos - com exceção daqueles restritos ao sistema nervoso central, carcinoma basocelular e câncer de útero - e doenças degenerativas crônicas.
Lei que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante é a Lei 9.434, de 04 de fevereiro de 1997, posteriormente alterada pela Lei nº 10.211, de 23 de março de 2001, que substituiu a doação presumida pelo consentimento informado do desejo de doar. Segundo a nova Lei, as manifestações de vontade à doação de tecidos, órgãos e partes do corpo humano, após a morte, que constavam na Carteira de Identidade Civil e na Carteira Nacional de Habilitação, perderam sua validade a partir do dia 22 de dezembro de 2000. Isto significa que, hoje, a retirada de órgãos/ tecidos de pessoas falecidas para a realização de transplante depende da autorização da família. Sendo assim, é muito importante que uma pessoa, que deseja, após a sua morte, ser uma doadora de órgãos e tecidos comunique à sua família sobre sua vontade, para que a mesma autorize a doação no momento oportuno.

A identificação de potenciais doadores é feita, principalmente, nos hospitais onde os mesmos estão internados, através das Comissões Intra-hospitalares de Transplante, nas UTIs e Emergências em pacientes com o diagnóstico de Morte Encefálica. As funções da coordenação intra-hospitalar baseiam-se em organizar, no âmbito do hospital, o processo de captação de órgãos, articular-se com as equipes médicas do hospital, especialmente, as das Unidades de Tratamento Intensivo e dos Serviços de Urgência e Emergência, no sentido de identificar os potenciais doadores e estimular seu adequado suporte para fins de doação e articular-se com a respectiva Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos, que possibilita o adequado fluxo de informações.

As Centrais Estaduais também têm um papel importante no processo de identificação/ doação de órgãos. As atribuições das CNCDOs são, em linhas gerais: a inscrição e classificação de potenciais receptores; o recebimento de notificações de morte encefálica, o encaminhamento e tomada de providências quanto ao transporte dos órgãos e tecidos, notificação à Central Nacional sobre os órgãos não aproveitados no estado para o redirecionamento dos mesmos para outros estados, dentre outras. Cabe ao coordenador estadual determinar o encaminhamento e providenciar o transporte do receptor ideal, respeitando os critérios de classificação, exclusão e urgência de cada tipo de órgão que determinam a posição na lista de espera. Isso é realizado com o auxílio de um sistema informatizado para o ranking dos receptores mais compatíveis.

No HUSM, a CIHCOT vem trabalhando junto aos funcionários para disseminar informações relacionadas à doação. Além disso, divulga os dados relativos às captações na imprensa local e deve realizar campanhas junto a escolas e aos acadêmicos do Centro de Ciências da Saúde para contagiar a todos com a "cultura da doação". Os integrantes da Comissão também realizam palestras sobre o tema em Santa Maria e em outros municípios da região.

As comissões têm como responsabilidade promover a educação e conscientização da sociedade em geral, por meio de ações que contemplam a divulgação de informações à imprensa sempre que forem solicitadas, a realização de projetos em escolas, empresas e em outros espaços de convívio social, treinamentos em hospitais e campanhas de estímulo à doação.

É um processo regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Composto por três partes, a primeira específica a causa do coma e exclui as possíveis causas reversíveis deste coma. A segunda é composta por testes clínicos com o paciente, que são feitos em duas oportunidades, separados por, no mínimo, seis horas, e ainda um destes feitos por um neurologista. Ao final deste é confirmado o diagnóstico clínico de Morte Cerebral - situação irreversível, sem possibilidade de tratamentos e que evoluirá em questão de horas para parada cardíaca. E, o terceiro item do Protocolo é um exame por imagem que mostre o cérebro sem atividade. No HUSM, utilizamos a "Arteriografia Cerebral de Quatro Vasos" que mostra a circulação cerebral ausente no caso da Morte Cerebral. Não existe possibilidade de enganos.

Após ter-se o Protocolo compatível com morte e a família ter autorizado a doação, a Central de Transplantes do Rio Grande do Sul, que fica em Porto Alegre, é contatada e organiza as equipes cirúrgicas de retirada dos órgãos. Após a cirurgia, o corpo é entregue à família sem nenhuma deformação ou enviado para exame médico legal.