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Projeto de Cinoterapia no HUSM completa um ano e realiza seminário para apresentar resultados

auxiliares de quatro patas

Projeto de Cinoterapia no HUSM completa um ano e realiza seminário para apresentar resultados

 

“A história que mais nos marcou, da participação dos cães na Unidade Psicossocial, é a de uma paciente cadeirante, com duas internações e um caso clínico de depressão e catatonia (não se movimentava nem se comunicava com ninguém). Em uma das visitas dos cães do Corpo de Bombeiros à unidade, ela foi levada ao pátio. Quem estava lá não vai esquecer com certeza. Colocamos a guia do cão na mão dela. Um funcionário a levou para uma volta na quadra e nesse percurso ela falou: “Eu amo esses bichinhos.” Essa foi a primeira vez que ela se comunicou. Esse é um caso que eu vou levar para a vida.”

O relato do Enfermeiro Luciano Bertasi, chefe da Unidade Psicossocial do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) foi apresentado aos gestores do hospital e ao Comando do Corpo de Bombeiros de Santa Maria e de Xanxerê (SC) durante o I Seminário de Cinoterapia do HUSM: resultados e perspectivas, realizado na manhã de quinta-feira (20), no Auditório Londero.

O projeto de Cinoterapia do HUSM  foi idealizado pela 1ª Companhia de Bombeiros Militar de Santa Maria e completou um ano, dia 12 de dezembro. As atividades, que no início ocorriam a cada 15 dias no pátio interno da Unidade Paulo Guedes, foram ampliadas. Atualmente, ocorrem uma vez por semana e, a pedido do próprio serviço, foram estendidas para os pacientes internados no Centro de Tratamento de Criança com Câncer (CTCriac). Local onde, segundo psicóloga Sandra Sallet, já é possível perceber melhoras nos pacientes, como alivio da dor, de estresse e depressão, além da melhora na ambiência da internação.

A superintendente do HUSM, Elaine Resener, é a coordenadora do projeto dentro do hospital e relatou que a iniciativa surgiu da afinidade e identificação dela com a proposta.

- Esse projeto tem como diferencial trazer para o hospital novas técnicas, novos métodos de terapia e acompanhamento dos nossos pacientes. Foi construído mediante um protocolo, portanto, tem os seus resultados validados e uma grande importância para a sociedade. Nós vamos dar continuidade sim, vamos aperfeiçoá-lo. Queremos propor parceria ao Hospital Veterinário no acompanhamento dos cães e buscar outros parceiros que possam contribuir no custeio do projeto.  -  afirmou, a superintendente.

No HUSM, os cães labradores Guapo e Logan são os parceiros de trabalho dos soldados Alex Sandro Brum e Vagner Charão Lago, responsáveis pela execução do projeto nas duas unidades de internação.

A médica residente do serviço de Psiquiatria, Camila Ulsan, relatou que há muitos pacientes com esquizofrenia. Alguns, dependendo da gravidade, não demonstram afetividade pelas pessoas e têm menor interação social.

- Através dos animais, a gente tem conseguido melhoras. Um desses casos foi de uma senhora com demência e esquizofrenia. Em razão disso, ela ficava isolada sem interagir. Quando começou essa terapia, ela começou a querer ir ao pátio. Ela não conversava com os outros pacientes, mas caminhava com o Guapo. A gente tem percebido um benefício muito significativo no paciente, em geral, naqueles internados por mais tempo. Eles sempre perguntam quando os cães virão ao hospital e ficam mais contentes – disse Camila.

O projeto terá continuidade no ano de 2019.

- Falando um pouco de perspectivas, nossa intenção é que os cães participem ainda mais de grupos e outras atividades, porque a gente já viu que eles são realmente facilitadores – afirmou o enfermeiro Bertasi.

De acordo com o Tenente Coronel Walter Parizotto, comandante do 14º Batalhão de Bombeiro Militar de Santa Catarina, e um dos pioneiros na técnica no país, o trabalho de cinoterapia faz bem para o paciente, para o hospital e para a corporação.

Xanxerê (SC) é onde o Corpo de Bombeiros do estado vizinho prepara seus homens e cães para busca e salvamento de pessoas. Segundo o coronel, cerca de 80% de todos os cinotécnicos em atuação hoje no país, passaram por treinamento lá. Antes, quando desaparecia alguém, acionava-se a polícia, esperava-se algumas horas para confirmar se a pessoa estava perdida ou não. Só depois iniciavam as buscas. Hoje, no momento que o bombeiro é acionado, ele desloca, não importa o horário, nem a condição climática.

- Nós formamos cães melhores e homens melhores. Eu atribuo a eficácia dessas buscas a esse trabalho que é desenvolvido nos hospitais. Quando nós sensibilizamos os bombeiros, que passam mais tempo perto dos pacientes, passam a sentir as dores do paciente se tornam profissionais melhores. E para os nossos cães é um grande treino. O que o cão procura são hormônios. Quando o cão vem para cá, ele entra em contato com esses hormônios e isso faz bem para todo mundo. Esses cães são preparados para estar nesses ambientes. Prova disso que foram 30 encontros e nenhuma intercorrência – explicou.

Segundo o Tenente Coronel Nilton de Souza Camargo, comandante do Corpo de Bombeiros da 4ª Região, o trabalho desenvolvido no HUSM é um orgulho para a corporação. Embora esteja a pouco tempo a frente do comando regional, comprometeu-se em se empenhar na busca de melhorias para o projeto.

Também prestigiaram o seminário o ouvidor do HUSM, Angelino Moreira e a chefe de Divisão de Enfermagem, Suzinara Lima.

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