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Mutirão médico-humanitário voltado a imigrantes venezuelanos é iniciado em Roraima

Ebserh solidária

Mutirão médico-humanitário voltado a imigrantes venezuelanos é iniciado em Roraima

 

 

Boa Vista (RR) – O venezuelano Jhonatan Cavaliero é pai de Brender, de apenas 10 anos. Em seu país de origem, o garoto foi diagnosticado com linfoma, um tipo de câncer que ataca os linfonodos, em seu caso específico, no pescoço. Após submeter o filho a dois ciclos de quimioterapia, o tratamento foi interrompido por conta da situação econômica da Venezuela. Em um ato de desespero, o pai atravessou a fronteira com o Brasil levando consigo parte da família, histórias e esperança de salvar a vida do filho caçula.

Brender foi um dos imigrantes atendidos no primeiro dia de ação Ebserh Solidária. Dezenas de outros pacientes foram atendidos pelos profissionais que se voluntariaram para o mutirão de saúde. Os atendimentos iniciaram pela manhã e se estenderam no período da tarde. Nem mesmo a forte chuva – própria da região – impediu ação médico-humanitária promovida pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), estatal vinculada ao Ministério da Educação (MEC) que administra 40 hospitais universitários federais em todo o país.

Foi justamente um trabalho de rede hospitalar que propiciou o tão sonhado tratamento para Brender. O garoto venezuelano foi atendido pelos médicos voluntários da Rede Ebserh, que contactaram o Hospital Universitário Getúlio Vargas da Universidade Federal do Amazonas (HUG-Ufam), administrado pela estatal, sendo então encaminhado para atendimento em Manaus. Uma organização não-governamental cuidará do abrigo da família, enquanto o transporte ficará a cargo de uma entidade da Organização das Naçõeas Unidas (ONU).

Criada em 2017 para para oferecer atendimentos de saúde voltados à população com dificuldade de acesso a esses serviços, essa edição da ação Ebserh Solidária foi idealizada diante do número crescente de entrada de imigrantes venezuelanos no país e a fim de apoiar as atividades que visam minimizar o impacto gerado nos serviços públicos do estado de Roraima. O mutirão médico-humanitário será realizado até o próximo sábado, 1 de setembro, na capital Boa Vista e na cidade de Pacairama, que faz fronteira com o vizinho sul-americano.

No total, 36 profissionais de saúde dos hospitais universitários federais vinculados à Rede Ebserh se voluntariaram para oferecer atendimento nas especialidades de Ginecologia, Obstetrícia, Pediatria, Infectologia, Oftalmologia. São médicos, enfermeiros e técnicos de saúde, dentre outros profissionais, atuando com o apoio do comando da Operação Acolhida, que é coordenada pela Casa Civil da Presidência da República e envolve os ministérios da Defesa, Saúde, Desenvolvimento Social, Trabalho e Emprego, Forças Armadas, Organização das Nações Unidas (ONU), além da Polícia Federal e do MEC.

O presidente da Rede Ebserh, Kleber Morais, ressaltou o caráter voluntário da ação e dos profissionais envolvidos, enfatizando ainda a questão estratégica na saúde pública brasileira. “Com esse mutirão, nós também beneficiamos a população de Roraima, pois aliviamos as filas para atendimento de saúde, hoje lotadas por venezuelanos. Temos de ter esse carinho e esse cuidado com o ser humano, independentemente do país em que nasceu”, salientou.

Brender espera a cura do filho mais novo e tempos melhores. E busca no Brasil um acolhimento humano e possibilidades de um futuro mais digno. “Depois do tratamento, vamos ver como estará a situação da Venezuela e nossa situação no Brasil, para então resolvermos se podemos voltar ou se ainda teremos de ficar”, afirma o pai que ainda deixou dois filhos para trás, um de 19 e outro de 20 anos, atletas da seleção venezuelana de Tae kwon do.

Saiba mais

Em Boa Vista, as ações serão voltadas aos venezuelanos que ocupam os abrigos na cidade, e em Pacaraima, haverá vacinação para os imigrantes. São previstas ações educacionais preventivas em saúde, exames, testes para Hepatites B, C, HIV e VDRL, glicemia, verificação de pressão arterial, citologia de colo de útero, orientação sobre escovação dentária, prevenção e orientação sobre parasitoses intestinais, orientações sobre nutrição, consultas e orientações da oftalmologia, orientações para gestantes e amamentação, dentre outros procedimentos. Os insumos e materiais a serem utilizados para a ação foram disponibilizados pelos hospitais universitários federais da Rede Ebserh e Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS-MS).

Abertura e homenagem

A abertura da ação no estado de Roraima aconteceu no domingo, dia 26, na Universidade Federal de Roraima (UFRR), com a presença do presidente da Rede Ebserh, Kleber Morais, do reitor da UFRR, Jefferson Fernandes, do coronel Goeorges Feres Kanaan - Operação Acolhida, do vice-presidente da Rede Ebserh, Arnaldo Medeiros, da superintendente do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe, Angela Silva, dos voluntários da Rede Ebserh, além de outras autoridades.

Na ocasião, o menino Luis, imigrante venezuelano portador de síndrome de Down, foi homenageado com um colete da ação Ebserh Solidária, como símbolo de luta e perseverança. O garoto e os pais são imigrantes venezuelanos e estão abrigados em Boa Vista, sendo beneficiados com as ações de saúde.

O encerramento será realizado na UFRR, às 15h (horário local) do dia 1 de setembro, com a presença do ministro da Educação, Rossieli Soares, do presidente da Rede Ebserh, Kleber Morais, do general de Brigada Eduardo Pazuello – Operação Acolhida, do reitor da UFRR, Jefferson Fernandes, e do vice-presidente da Rede Ebserh, Arnaldo Medeiros.

Sobre a Ebserh

Estatal vinculada ao Ministério da Educação, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) atua na gestão de hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

A empresa, criada em dezembro de 2011, administra atualmente 40 hospitais e é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações em todas as unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.