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Profissionais, professores e alunos fazem atendimento em domicílio para pacientes com dificuldade de locomoção

FORA DO CONSULTÓRIO

Profissionais, professores e alunos fazem atendimento em domicílio para pacientes com dificuldade de locomoção

Profissionais do Hospital Universitário Walter Cantídio e estudantes e professores do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Ceará (UFC) se unem para atender em domicílio pacientes com dificuldade de locomoção e que, portanto, não podem se deslocar até as unidades de saúde. Além disso, a iniciativa tem como objetivo proporcionar aos alunos a vivência do atendimento no lar, em uma imersão nos contextos social e familiar dos pacientes. Dessa forma, os estudantes têm contato com o território e experimentam o atendimento fora dos consultórios, participando de uma equipe multidisciplinar.


As visitas foram iniciadas em julho de 2017 e visam atender a demanda existente nas áreas mais críticas de cobertura da Unidade Básica de Saúde da Família Anastácio Magalhães, no bairro Rodolfo Teófilo, onde também estão o HUWC e o Campus da Saúde da Universidade Federal do Ceará. Até agora, 47 pacientes já foram assistidos dos 53 triados para receber o atendimento. Todos voltarão a ser consultados regularmente. 


Redução de intercorrências

As visitas também ajudam a diminuir o número de intercorrências nas unidades de saúde. “A intenção do cuidado domiciliar é tentar diminuir as intercorrências. Esses pacientes que não conseguem se locomover, quando pioram, tendem a ir ao hospital. Com o projeto, o que a gente faz é evitar que o paciente precise procurar o serviço hospitalar emergencial, mantendo-o estável, sem piora”, explica Magda Almeida, professora do Departamento de Saúde Comunitária da UFC, médica formada em Medicina da Família e uma das responsáveis pela ação. 


Os atendimentos em domicílio fazem parte do projeto “Fórum de Saúde do Porangabuçu”, com o monitoramento da professora Magda e de Josenília Maria Alves Gomes, gerente de Atenção à Saúde do HUWC e também docente da Faculdade de Medicina da UFC, e a colaboração dos agentes comunitários de saúde, que estabelecem o elo entre os pacientes e os outros profissionais. Os demais membros da equipe são rotativos e variam de acordo com a necessidade de cada paciente. Ao todo, o grupo conta com psicólogo, fisioterapeuta, farmacêutico, médico e odontólogo, profissionais em formação (alunos participantes de programas de extensão) e voluntários.


Exames e diálogo

A equipe busca averiguar como está a saúde do paciente e o que pode ser feito, dentro do contexto em que ele está inserido, para melhorar a qualidade de vida dessa pessoa. Exames de rotina, como verificação da glicemia, pressão sanguínea e avaliação bucal, são realizados, associados ao diálogo intenso com os pacientes e, se presentes, com os familiares.


“Ir ao encontro do paciente e atendê-lo em casa permite aos profissionais da saúde terem uma visão sobre alguns aspectos do cotidiano desse indivíduo que podem afetar diretamente o tratamento, como saber quem são os cuidadores (e qual é a disponibilidade deles), se as instalações da moradia estão adequadas às condições físicas do paciente, se há um monitoramento eficaz dos medicamentos, como é a relação familiar etc”, avalia a gerente de Atenção à Saúde do HUWC. Para que isso se torne possível, a abordagem dos profissionais é leve e dinâmica, de modo a deixar a família mais à vontade com os profissionais.


“O cuidado (é) centrado no paciente; entendendo que saúde e bem-estar envolvem os estados psíquico, metafísico e social. Então, a família tem tudo a ver com isso, com o processo de estar mais saudável ou mais doente. Quando você consegue perceber essas nuances, pode identificar fatores que pioram o adoecimento. Não é coisa de ser só agradável. Faz parte, inclusive, da eficácia como médico. Se você deixa de perceber esses fatores, deixa de atuar sobre eles. E a sua terapêutica não será eficaz”, entende Magda Almeida.



A visão do usuário sobre o projeto

Dona Uedes é diabética e teve a perna esquerda amputada devido a uma complicação após um procedimento realizado na unha do pé. Com o auxílio de uma cadeira de rodas, locomove-se pela casa e realiza as atividades domésticas, porém não se sente segura para usar muletas. Por isso, evita sair de casa por medo de cair.


Uma planilha, informando todos os remédios e os horários das medicações, está colada na porta do guarda-roupa, um artifício deixado pela equipe do Fórum de Saúde do Porangabuçu na última visita para auxiliar a dona de casa a tomar os remédios corretamente.


Na visita dessa terça-feira, 5 de setembro, a equipe entrou em consenso que é melhor trocar a planilha por outra com letras maiores, para tornar as informações mais visíveis para a paciente. Também nessa terça, Dona Uedes passou por exames de glicemia e pressão arterial, além de ter sido avaliada por estudantes de odontologia e fisioterapia. “A gente se sente cuidada por completo”, disse.