Histórico Histórico

Histórico

A Maternidade Climério de Oliveira começou a virar realidade em 1879, quando uma reforma do ensino da Medicina deu início a algumas mudanças na Bahia, como a criação da cadeira de Clínica Obstétrica e Ginecológica.

Em 1885, o professor Climério Cardoso de Oliveira assumiu a direção da nova clínica, que funcionava na enfermaria Santa Isabel, do velho Hospital São Cristovam, que pertencia à Santa Casa de Misericórdia. Em 1892, a falta de um espaço para a realização de partos e as condições de material e higiene da enfermaria da Santa Casa – local reservado ao atendimento dos pacientes -, fez o médico Climério de Oliveira perceber a necessidade de novas instalações obstétricas na cidade de Salvador.

Para conquistar avanços na área da obstetrícia, aspiração de boa parte dos médicos da capital baiana, a construção de uma maternidade pública surgiu como a mais nova ambição da classe médica da Bahia. Ela serviria, além de espaço para a realização dos partos na cidade, também como um centro de pesquisa. Na verdade, uma maternidade-escola, que ajudaria na formação dos novos médicos da Faculdade de Medicina.

No entanto, na época, foi encontrada uma solução paliativa: a mudança das velhas dependências da Clínica Obstétrica para uma enfermaria no Hospital Santa Isabel, recém construído no bairro de Nazaré, em Salvador.

Foi então por influência do professor Manoel Vitorino, na época senador federal, que foi incluída na lei de orçamento da União, para 1894, uma verba para a construção da maternidade pública.

Em 1903, o diretor da Faculdade de Medicina da Bahia, o professor Alfredo Brito, através de um contrato aprovado pelo governo da União e selado com a Santa Casa de Misericórdia, estabeleceu a construção dos pavilhões necessários para o funcionamento da maternidade. O terreno escolhido ficava em frente à fachada lateral do Hospital Santa Isabel.

A partir deste contrato iniciou-se a verdadeira luta de Climério de Oliveira para fazer com que as obras de construção da maternidade realmente acontecessem. O repasse do governo federal não era suficiente para o andamento das obras. O professor então conseguiu estimular e organizar algumas frentes de arrecadação de fundos, como o Comitê de Senhoras da Sociedade Baiana – formado por 18 senhoras. O comitê realizou seis espetáculos no antigo teatro Politeama, apresentando um drama intitulado “A Maternidade”, escrito pelo próprio Climério de Oliveira. Outra forma de arrecadação foi através do bando precatório dos estudantes das escolas superiores do Estado, que saiam pelas ruas de Salvador pedindo doações à caridade pública.

Mesmo com a ajuda dada pelos governos estaduais e municipais, as obras da maternidade só ficaram prontas cinco anos depois. Após alguns trabalhos de acabamento e aparelhamento, foi então inaugurada, no dia 30 de outubro de 1910, a Maternidade Climério de Oliveira.

Logo após a inauguração, a Maternidade, que segundo o contrato pré-estabelecido seria parte integrante da Santa Casa, passou a fazer parte da Faculdade de Medicina da Bahia. A mudança foi possível graças a uma alteração feita pelo governo – no artigo do contrato entre a Santa Casa e a faculdade – a pedidos do professor Alfredo Brito.

A Maternidade Climério de Oliveira tornou-se assim o primeiro espaço reservado para o atendimento obstétrico-ginecológico no Brasil, que tinha a finalidade específica de Maternidade/Escola. Nela, as mulheres da capital baiana teriam o amparo que até então o poder público não oferecia. A inclusão da população pobre crescia aliada ao ensino e à pesquisa dos novos médicos da Faculdade de Medicina da Bahia.

A cultura soteropolitana se modificava e a agenda higienista e a civilização da arte de parir dava novos dados estatísticos à mortalidade infantil do país.