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A Campanha em prol da construção da Maternidade Popular (Escola) foi lançada oficialmente na capital cearense na noite de 28 de maio de 1955, pelo Sr. João de Medeiros Calmon, no momento em que lhe era prestada, em banquete que reuniu representantes de todas as classes sociais do Ceará, uma grande homenagem por motivo de sua recente ascensão ao posto de Diretor Geral dos Diários, Rádios e TV Associados.

Ao agradecer a expressiva manifestação, o Sr. João Calmon valeu-se da oportunidade para anunciar o início do movimento, há muito concebido e que logo mais iria empolgar, como um formidável incêndio de generosidade e amor ao próximo, a alma dos filhos do Ceará.


O apelo de João Calmon

Do discurso do Diretor Geral dos "Diários Associados", pronunciado no banquete do Ideal Clube, foi extraído o seguinte trecho em que ele explica os motivos do empreendimento de que se tornou pioneiro:

Os "Diários Associados", não apenas como já disse alguém, é a maior e melhor escola de jornalismo do Brasil. Em nossa organização formaram-se ou se aperfeiçoaram alguns dos mais fulgurantes jornalistas do nosso país. Os D. A. são também, graças ao exemplo de seu inspirador, o Sr. Assis Chateaubriand, uma inexcedível escola do espírito público. No plano nacional, promovemos a Campanha Nacional de Aviação, a Campanha de Redenção de Criança, a Campanha de Recuperação do Solo, a Campanha de Formação de uma Elite e fundamos o Museu de Arte de São Paulo. No plano estadual, além de numerosas iniciativas em outras unidades da Federação, orgulhamo-nos de nossa campanha em favor da Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza e vamos iniciar, agora mesmo, uma outra com maior envergadura.

No terreno da assistência social, Fortaleza é de uma pobreza constritora. São Luís, Teresina, João Pessoa, Natal, Campina Grande e o Crato possuem maternidades para as gestante pobres que colocam a nossa capital numa situação humilhante. Visitando frequentemente aquelas cidades e impressionado com o escandaloso contraste entre o luxo e o número de nossos Clubes elegantes e a nossa falta de maternidade, estudei com os companheiros cearenses a possibilidade de promovermos uma intensa campanha para solucionar, pelo menos parcialmente, esse angustioso problema social, cujos detalhes arrepiantes eu me permito omitir num momento tão festivo com este, mas que serão focalizados através da Ceará Rádio Clube, do " Unitário" e do "Correio do Ceará". 

Em vez de criticar os arrojados cearenses a quem devemos a construção de alguns dos mais belos clubes elegantes do Brasil, precisamos utilizar os seus métodos e aproveitar a sua experiência na arrecadação de recursos financeiros para obras de vulto, como a da futura Maternidade Popular de Fortaleza. Contando com o apoio do comércio e da indústria, e de todos os cearenses, inclusive dos que vivem em outros Estados e que serão convocados pelos "Diários Associados" através de uma campanha de âmbito nacional, de que participarão nossos jornais, revistas e estações de rádio e televisão, o sucesso da iniciativa está assegurado. Nem a atual crise financeira prejudicará os nossos planos. As contribuições serão pagas em módicas prestações mensais, de acordo com a possibilidade de cada um. Na campanha em favor da Santa Casa, comprovamos como é impressionante o apoio do povo aos movimentos filantrópicos. Nada menos da metade do total arrecadado era constituída de quantias inferiores a quinhentos cruzeiros.

Seguindo a orientação "associada" de não limitar a nossa atuação à exploração comercial de jornais e rádios e aproveitando a presença, neste banquete, das figuras mais representativas da sociedade cearense, lanço as bases dessa nova campanha, subscrevendo, desde logo, em nome da Ceará Rádio Clube, do "Correio do Ceará", do "Unitário" e da Rádio Araripe do Crato, uma contribuição de cinquenta mil cruzeiros. Para dirigir a campanha em prol da Maternidade Popular de Fortaleza será constituída uma Comissão Central, com a participação das personalidades de maior destaque do Ceará e na qual figurará, como representante dos "Diários e Rádios Associados", o nosso diretor-presidente, o querido Dioguinho de todos nós, que encarna uma das melhores tradições da filantropia da família cearense".

Fortaleza foi posta em confronto com outras capitais nordestinas menos populosas e menos desenvolvidas. Os órgãos "associados", na sua tarefa de esclarecer completamente o povo, publicaram, em junho de 1955, os seguintes dados do IBGE, num artigo do Sr. Adolfo Frejat, então Inspetor Regional de Estatística:

"Para se ter uma ideia da insuficiência de leitos nas maternidades de Fortaleza, basta lembrar que, em 1950, Natal (RN) contava com 158 leitos em suas maternidades; João Pessoa (Pb) dispunha de 176 enquanto que, em Fortaleza, não excedia de 129 o número de leitos.

A nossa posição de inferioridade nesse tocante, fica perfeitamente caracterizada ao compararmos, já não digo a população total das três capitais, mas a população feminina de 15 a 49 anos, isto é, o número de mulheres em idade fecunda.

De acordo com o censo de 1950, havia, àquela época, em Natal, 30.057 mulheres de 14 a 49 anos; em João Pessoa, 34.480 e, em Fortaleza, 77.819 mulheres em idade fecunda.

Como se verifica, a população feminina de 15 a 49 anos de idade encontrada em Fortaleza é superior à soma da população de igual sexo e grupo de idade existente em Natal e João Pessoa, enquanto que o número de leitos nas maternidades de qualquer das citadas capitais vizinhas é superior ao número de leitos de Fortaleza.

Se considerarmos as mulheres casadas entre 15 e 49 anos de idade, teremos para Natal, 15.645, para João Pessoa, 15.943, e para Fortaleza, 37.859, total este também superior à soma das duas primeiras capitais.

No ano passado 10.069 parturientes ocuparam os 138 leitos existentes para tal fim nas organizações hospitalares de Fortaleza. Aquele total indica perfeitamente, que, em média, cada um dos 138 leitos será ocupado, em 1954, por 73 parturientes inferindo-se, daí a permanência de cada gestante durante 5 dias nas maternidades.

A taxa de natalidade em Fortaleza é de 46 nascidos vivos para cada 1.000 habitantes; a taxa de fecundidade feminina é de 159 nascidos vivos por 1.000 mulheres de 15 a 49 anos; a taxa de mortalidade infantil é de 236 falecidos no primeiro ano de idade, por 1.000 nascidos vivos.

Taxas elevadíssimas de natalidade e fecundidade feminina comparativamente às demais capitais brasileiras. Que de benefício não trará a Fortaleza a Maternidade Popular em projeto, inclusive o de fazer baixar a não menos elevada e deprimente taxa de mortalidade infantil!"

O povo e o governo sentiram na própria carne a urgentíssima necessidade de um estabelecimento hospitalar que viesse corrigir tão constrangedora situação. E imediatamente cerraram fileiras sob a bandeira dos Diários Associados numa das mais espetaculares "corridas" de filantropia de que se tem notícia em nosso país. Quarenta e oito horas depois do discurso do Sr. João Calmon (pronunciado numa noite de sábado) mais de 1 milhão de cruzeiros já haviam sido subscritos para a construção da Maternidade Popular (Escola). Todas as entidades de classe, culturais, artísticas e sociais de Fortaleza, bem como as grandes firmas do comércio e da indústria, assim como os poderes públicos, as personalidades de maior relevo do Estado e a grande massa anônima do povo ofereceram seus donativos numa impressionante demonstração de generosidade e altruísmo. Nos cinco primeiros dias da campanha, a média das subscrições foi de um milhão de cruzeiros diários.

O movimento se ampliou então para fora das fronteiras do Estado. Cearenses residentes em todos os rincões da pátria ouviram a convocação dos Diários Associados e atenderam com alegria ao convite que lhes era dirigido no sentido de que ajudassem a redenção da mãe pobre de Fortaleza. A colônia do Rio de Janeiro (inclusive os deputados e senadores pelo Ceará) ofereceu em apenas doze dias nada menos que cinco milhões de cruzeiro. Substanciais donativos também foram recebidos de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas, Amazonas, Pará, Pernambuco, etc.

A Sociedade Pró-Construção da Maternidade Popular (Escola) de Fortaleza, constituída logo nos primeiros dias depois de lançado o movimento e integrada por destacadas personalidades da vida cearense pôde então marcar a data do lançamento da pedra fundamental. A 3 de março de 1956, em memorável solenidade pública, começou a segunda etapa da campanha, ou seja, a da construção efetiva do belo e funcional edifício projetado de acordo com a mais moderna técnica hospitalar daqueles dias. Falando durante o ato, o Sr. João Calmon anunciou que o Diretor dos Diários Associados, Sr. Assis Chateaubriand, resolvera doar, como contribuição pessoal, um Posto de Puericultura destinado aos filhos das mães pobres que vierem a nascer na maternidade. E, ao concluir, afirmou:

"Esta pedra fundamental vale para mim como a reafirmação do compromisso ou do solene juramento que a casa da mãe pobre do Ceará, com mais de cem leitos, abrirá dentro de poucos anos suas portas, impedindo que se abram com a mesma alarmante frequência de hoje, sepulturas de "anjinhos" sacrificados pelo egoísmo e pela imprevidência dos homens que se divertem à beira do abismo de uma crise social sem precedentes".

As obras tiveram início imediatamente, não sendo mais interrompidas. Dia a dia se avolumava a grande estrutura de cimento armado do bairro de Porangabussu.

  

"Aos "Diários Associados" de Fortaleza:

Empolgado pelo admirável movimento promovido nessa capital para construção de uma Maternidade Popular, venho, por intermédio dessa prestigiosa organização, oferecer o donativo pessoal de cem mil cruzeiros, sumamente jubiloso por participar de iniciativa tão meritória. Desejo, igualmente, dar ao presente oferecido o caráter de uma homenagem especial ao nobre povo cearense que tanto admiro pela sua inestimável colaboração ao engrandecimento de nossa Pátria." Juscelino Kubistchek


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"A ideia lançada pelo jornalista João Calmon é daquelas que merecem não só o apoio mas o franco e decidido entusiasmo de quantos se interessam pelos empreendimentos úteis em benefício da coletividade. De minha parte, darei o apoio do Governo no sentido de que a feliz iniciativa seja, com a urgência devida, coroada de êxito, e agradeço a oportunidade que os "Diários Associados" me oferecem, para proclamar de público as minhas congratulações com a benemérita campanha."
Paulo Sarazate, Governador do Ceará

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"A campanha lançada por João Calmon para a construção de uma Maternidade Popular Escola em Fortaleza é, sem dúvida, um dos mais meritórios movimentos jamais empreendidos pelos "Diários Associados", a cujos jornais e emissoras deve o Brasil tantos e tão assinalados serviços. Nenhum cearense pode deixar de apoiar, com sincero entusiasmo, a humanitária cruzada de redenção da mãe pobre de nossa terra."
Flávio Marcílio, Vice-Governador do Estado

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"Ciente da vitoriosa campanha em tão boa hora empreendida pelos "Diários Associados" no sentido de dotar Fortaleza de uma Maternidade Popular, obra realmente muito necessária, apresso-me em apresentar vivos aplausos à louvável iniciativa, augurando pleno sucesso e oferecendo-lhe inteira solidariedade deste Departamento."
Martagão Gesteira, Dir. do Dep. Nacional da Criança

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"Manifesto o meu caloroso aplauso, como cearense e velho vicentino (membro das Conferências de São Vicente de Paulo), à campanha ora desenvolvida pelos "Diários Associados" em prol da construção da Maternidade Popular de Fortaleza. Como simples cidadão, e mais ainda como eventual ocupante de qualquer posto de responsabilidade da administração pública, comprometo-me a dar todo o apoio que estiver ao meu alcance pela pronta construção e posterior desenvolvimento dessa nobre instituição de assistência social."
Juarez Távora

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"A Maternidade Popular (Escola) projetada para o Ceará por iniciativa dos "Diários Associados" representa, sem dúvida, uma das obras mais meritórias de quantas se tem notícias nos últimos tempos, dada a sua incontestável necessidade e os frutos que há de produzir. Pode-se dizer que, pelo seu arrojo e pelo êxito já obtido, imensa será a dívida de gratidão dos cearenses a todos aqueles que aplaudiram e apoiaram a grande ideia."
Virgílio Firmeza, Presidente do Tribunal de Justiça do Ceará


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"Nenhum cearense que se preza pode deixar de aplaudir e apoiar, com todo o entusiasmo, a campanha em prol da construção de uma Maternidade Popular (Escola) de Fortaleza. A ideia, em tão boa hora lançada por João Calmon e agitada pelos "Diários Associados", empolgou imediatamente a alma generosa do povo do Ceará, agora firmemente decidido a levar a bom termo o meritório movimento que visa a redenção da mãe pobre de nossa terra. Podem os homens que dirigem a campanha da Maternidade contar comigo e com a Universidade do Ceará."
Martins Filho, Reitor da Universidade do Ceará


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"Sempre aplaudi e incentivei as iniciativas que se destinam a proteger a maternidade e a infância. Mas, desde logo, quando os beneméritos amigos dos "Diários Associados" do Ceará tomaram aos seus ombros a tarefa de construir a Maternidade Popular (Escola) de Fortaleza, compreendi que deveria envidar o melhor do meu esforço para ajudar, tanto quanto me seja possível, a rápida concretização de tão grande e patriótica obra."
Parsifal Barroso, Ministro do Trabalho

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"O dever de assistência à maternidade e à infância inscreve-se entre os mais belos dispositivos constitucionais. Obra de cunho eminentemente social, a Maternidade Popular (Escola) de Fortaleza, pela comovedora mensagem humana que encerra, figura entre os mais nobres cometimentos do povo cearense. Merece, por isso, o desvelado apoio do povo e dos poderes públicos."
Perboyre e Silva, Presidente da Associação Cearense de Imprensa.

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"A Maternidade Popular (Escola) é uma obra necessária. Fortaleza não conta com estabelecimentos do gênero em número para atender satisfatoriamente a população. As gestantes pobres não têm mais para onde ir. Merece aplausos e cooperação quem tomou aos ombros a responsabilidade de realizar tão oportuno trabalho."
D. Expedito Oliveira, Bispo Auxiliar de Fortaleza.


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"A Maternidade Popular (Escola) de Fortaleza é uma obra de maior significado social, vindo preencher uma falha de nosso sistema assistencial. A Maternidade é um trabalho de fôlego que enaltece o espírito arrojado dos cearenses."
Júlio Rodrigues, Presidente da Associação Comercial do Ceará.

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" É uma iniciativa que muito honra os seus autores e que atende às necessidades de nossa terra, preenchendo uma lacuna das mais sentidas em Fortaleza. É de se esperar que essa iniciativa, dentro de pouco tempo, esteja definitivamente concretizada. Na qualidade de Diretor da Faculdade de Medicina do Ceará, cujos serviços se situam na mesma área de Porangabussu, espero que, em futuro próximo, através de convênios, venha a Faculdade a utilizar a Maternidade Popular como instrumento de ensino, passando assim a obra a ter duas funções: a social, atendendo às gestantes pobres, e a de escola, como o seu próprio nome indica."
Valdemar de Alcântara, Diretor da Faculdade de Medicina do Ceará

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"Essa é uma obra de benemerência que vem atender a uma grande necessidade de Fortaleza, uma vez que, podemos dizer, em nossa terra não temos uma única maternidade aparelhada e capacitada para o atendimento de mães indigentes. Ninguém poderá ficar indiferente a uma realização como essa. É nosso dever apoiar a iniciativa, a fim de que a Maternidade Popular venha a ser uma maravilhosa realidade."
José Ramos Torres Melo, Presidente da Federação das Associações de Comércio e Indústria do Ceará (FACIC).

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"Orlando Mota está no Rio fincando os alicerces da ideia de um homem de imprensa - João Calmon - que é a construção de uma Maternidade Popular em Fortaleza, a fim de que as mães cearenses pobres não tenham mais seus filhos nas sarjetas. Será um estabelecimento modelar, todavia sem luxo, porém dotado de moderna aparelhagem e com cerca de 130 leitos. Os cabeças chatas que trabalham em "Última Hora" e que deixaram o umbigo enterrado no Ceará não faltarão ao apelo de João Calmon e Orlando Mota. É a terra distante que dirige um SOS aos seus filhos."
Edmar Morel (trecho de uma reportagem publicada em "Última Hora", no Rio).


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"Mais rápida e esplendorosamente do que seria adequado esperar-se destes tempos estéreis, a semente que o jornalista João Calmon lançou na terra adusta cearense vicejou na campanha magnífica em prol da construção da Maternidade de Fortaleza, promovida pelos "Diários e Rádios Associados". Não se pode silenciar ante o apelo dessas vozes que representam a mãe humilde, cujo ventre fecundo povoa a terra seca do Nordeste, a floresta equatorial da hiléia, os campos do sul e as montanhas gerais."
"Diário de São Paulo" (trecho de um editorial).


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"A campanha, em boa hora lançada pelo Dr. João Calmon, Diretor Geral dos jornais e emissoras "associados" do país, em favor da construção da Maternidade Popular (Escola) e logo apoiada pela opinião pública, constitui um dos maiores benefícios destinados à mãe pobre do Ceará."
Dep. Decio Teles Cartaxo, Presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Trecho de requerimento).

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"Fortaleza terá dentro em breve a Maternidade de que precisa. Eis o fruto do idealismo e do espírito humanitário de João Calmon, que durante muito tempo dirigiu os "Associados" do Norte e agora tem o cargo de Diretor Geral dos jornais e rádios da grande empresa nacional. Perguntam, com espanto, os que sabem o progresso realizado pela capital do Ceará, se ali não existia uma maternidade à altura da necessidade do grande povo e a resposta é, infelizmente, negativa. Fortaleza possui alguns dos clubes mais adiantados e elegantes do país. Que testemunha isso, senão o espírito progressista da sociedade cearense? Mas não se compreende que Fortaleza, tendo a primazia dos clubes do Brasil, não se preocupasse também com a assistência social, no seu aspecto mais urgente e delicado, como o do socorro à mãe e à criança na hora mais grave do destino de ambas. A iniciativa de João Calmon atende, assim, a um problema vital que os cearenses, onde quer que estejam, são chamados a resolver."
Austregésilo de Athayde (Trecho de artigo).

Gestores:

- Diogo Vital de Siqueira (1° Presidente)
- Manuel Eduardo Pinheiro Campos - Presidente
- Antônio Carlos Campos de Oliveira - Tesoureiro
- Jurandir Picanço - Secretário

Diretores:

- Paulo Cabral de Araújo
- Orlando de Araújo Mota
- Fernanda Elin de Carvalho
- Virgílio Machado
- Álvaro Weyne 
- Antônio Gomes Guimarães
Chefe de Secretaria: Pantaleão Damasceno

Projeto dos arquitetos e engenheiros Oscar Valdetaro, Roberto Nadalutti e Israel Correia e dos engenheiros Carlos Miranda (Instalações Gerais) e Gabriel Correia, sendo Engenheiro-Construtor Jayme Verçosa.  A área total do edifício era de 6.733,65 metros quadrados.

- Lançamento da Campanha: 28 de maio de 1955
- Início da Obra: 3 de março de 1956
- Inauguração e entrega à Universidade do Ceará: 14 de dezembro de 1963

Maternidade em funcionamento

Inauguração da Maternidade Escola - 15/01/1965

"Um acontecimento festivo, hoje, em Fortaleza: começa a funcionar, oficialmente, a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand. Às 16 horas, perante altas autoridades e convidados especiais, realizar-se-á a anunciada solenidade, que marcará a entrega do moderníssimo conjunto hospitalar ao serviço do povo de Fortaleza. No decorrer da semana, foi assinado convênio entre a Universidade e a entidade mantenedora da Maternidade, através do qual foram assegurados os recursos necessários ao seu funcionamento imediato."
Jornal O Povo (16,17 de janeiro de 1965).

***

"Em virtude de convênio com a Universidade, entrou em funcionamento, oficialmente, sábado último, a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, sob a direção do Dr. Galba Araújo. A solenidade, realizada às 16 horas, assinalou o importante acontecimento, que contou com a presença de destacadas autoridades do Estado e do Município. Falaram na ocasião, o jornalista Manoel Eduardo Pinheiro Campos, Presidente da Sociedade de Assistência à Maternidade (SAMEAC), o Reitor Martins Filho e o Governador Virgílio Távora. Em seguida, houve o batismo de Teresinha, filha do casal Maria Cardoso dos Santos e Paulo Furtado dos Santos, primeira criança nascida naquele nosocômio, tendo como padrinhos o Sr. e Sra. Martins Filho. Champagne foi servido aos presentes, seguindo-se uma visita às dependências da Maternidade. Com o seu funcionamento normal, Fortaleza passa a contar com mais 120 leitos para gestantes, cerca de 20 dos quais já estão ocupados. Nas fotos, vemos, acima, o grupo de autoridades presentes ao acontecimento e, em baixo, o ato batismal."
Jornal O Povo (18 de janeiro de 1965)


Trigêmeos nasceram na Maternidade-Escola


"A Maternidade-Escola Assis Chateaubriand serviu de berço, sábado último, quando iniciou seu funcionamento normal, aos primeiros trigêmeos cearenses do ano. As três robustas meninas são: Maria de Fátima, Maria da Conceição e Maria Goretti, filhas do casal Maria de Lourdes Gregório e João Batista Gregório, ele motorista do 4º Distrito Policial. Estão passando bem as trigêmeas e deverão ser levadas ainda hoje para casa, à rua Marcílio Dias, 694 (bairro Nossa Senhora das Graças, no Pirambu)."
Jornal O Povo (18 de janeiro de 1965)


Como ser mãe sem outras dores

 

"Isso vai até fazer mal. É tão bom que agora é que vai mesmo nascer menino no Ceará!" O comentário, meio ingênuo, meio malicioso, foi ouvido de uma senhora que acabara de ser atendida na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, de Fortaleza. Habituada ao desconforto, à falta de higiene e todo um folclore negro que cerca os trabalhos de parto, desde os tempos bíblicos até as conversas de comadres e vizinhas, ela tivera ali a surpresa de um pronto e cordial atendimento, perfeitas condições de higiene e um quarto amplo e arejado. E, surpresa ainda maior, nem lhe perguntaram se podia pagar. Esta reportagem pretende contar algumas coisas sobre a Maternidade - mais uma obra que o Brasil fica devendo ao Dr. Assis Chateaubriand, sua organização e sua vida, com uma já tão grande folha de serviços.


Fortaleza ganha Maternidade-modelo


Com a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand aconteceu coisa diferente do que ocorre geralmente no Brasil: foi inaugurada depois de já estar funcionando. "Quando fizemos a festa, já havia crianças dormindo no berçário." Quem nos conta isso é o Dr. José Galba Araújo, diretor da Maternidade. Com um discreto ar de catedrático, o eficiente executivo da casa presta-nos outras informações:

A Maternidade tem 4 funções: Ensino, Assistência Social, Maternidade e Hospital de Urgência. Com 4 professores e 11 assistentes, aí funcionam 4 cadeiras da Faculdade de Medicina da Universidade do Ceará: Ginecologia, Obstetrícia, Puericultura e Pediatria. A Universidade contribui com uma verba anual de Cr$ 200 milhões. Dá para 4 meses - explica o Dr. Galba.

Em atividade total, a Maternidade dispõe de 126 leitos, podendo ir a 150. Está trabalhando com a metade de sua capacidade, mantendo quatro plantões médicos completos e mais um de reserva.

O primeiro parto foi no dia 15 de janeiro. Parto simples. Nasceu uma menina que recebeu o nome de Teresinha, em homenagem à esposa do Dr. João Calmon. No mesmo dia, nasceram gêmeos, o que foi considerado um bom augúrio.

Temos oito médicos plantonistas. Entre estes, um médico-laboratorista, um analista, um anestesista e - o que constitui novidade - um médico-arquivista. A necessidade de um médico-arquivista é explicada pelo Dr. Galba: precisão da terminologia técnica, dificilmente manipulável por um leigo. A catalogação de dados será feita por um computador IBM, doado pela fundação Ford, que ainda não chegou em Fortaleza porque a Maternidade não pode pagar os impostos alfandegários. Aqui fica o apelo aos Senhores da República para que consigam uma isenção desses tributos.

Oito salas de parto e um boxe (capacidade para 12 partos simultâneos). A maternidade pode fazer 30 partos por dia. Tem feito, em média, de 10 (inclusive já 10 cesarianas) nesses poucos dias de funcionamento.

"Indigentes" é a palavra proibida na Maternidade. Há clientes Classe A e Classe B. Com tratamento exatamente igual. As diferenças estão na comida (quem conhece o Nordeste sabe que a classe pobre não gosta de verduras, tomates, saladas, e, portanto, passa melhor com sua dieta), e nas acomodações: Classe B, quarto com cama, armário, luz, campainha e oxigênio embutido na parede; Classe A, quarto com 4 ou 6 camas e as mesmas características do primeiro.

Suaves anjinhos brancos que vieram do Canadá (Missionárias de Nossa Senhora) cuidam das crianças. São freiras com formação especializada para esse tipo de trabalho.

Nos quatro andares em que funciona a Maternidade, há um mundo de coisas a registrar. Entre outras: uma grande Sala de Conferências de Médicos; Sala de Cirurgia, com instrumental moderno e completo e com aparelhagem de televisão em circuito fechado, a fim de que os estudantes possam assistir às operações; Banco de Sangue; Sala de Triagem; grande cozinha; lavanderia; "atelier" de costureiras; almoxarifado, sala de máquinas com grandes caldeiras que produzem vapor e água quente para todo o edifício.

Além de tudo isto, a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand dispõe de excelente material humano. D. Helquine Cortez, Dorotéia Martins Ferres e Isabel Sales (enfermeiras) prestaram todas as informações solicitadas pela reportagem.

Mais uma nota simpática: uma associação composta de senhoras da sociedade de Fortaleza (Damas Vigilantes) presta serviço voluntário à maternidade. Cada uma dessas senhoras dá meio dia de plantão por mês. Sua função: fazer o papel de dona-de-casa, receber visitas, dar informações. D. Lorena Araújo, por exemplo, foi a simpática cicerone de "O Cruzeiro" na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand.

 

 

OBS: Informações retiradas da reportagem de Jean Solari/ Texto de Antônio Machado
Revista O Cruzeiro - 12 de junho de 1965

Aniversários

Com uma missa realizada na própria capela do hospital, comemorou-se o décimo aniversário de fundação da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, inaugurada em 15 de janeiro de 1965. Na foto, a mesa que dirigiu a solenidade, integrada pela Irmã Mary, Dr. Geraldo Gonçalves, secretário de Saúde do Estado (representando o Governador), Dr. Galba Araújo, diretor da Maternidade, jornalista Eduardo Campos, presidente da Sociedade de Assistência à Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, Dr. Aloísio Soares, secretário de Saúde do Município (representando o Prefeito) e Dr. Danúsio Correia, diretor do Centro de Ciências da Saúde da UFC.

No dia 13 de dezembro de 2013, a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC) esteve em festa comemorando seus 50 anos de existência e prestação de serviço à comunidade. Na solenidade de abertura, realizada no Hall principal, a Superintendência dos Hospitais Universitários da UFC juntamente com a Diretoria Assistencial da MEAC, demais membros do Grupo Gestor dos Hospitais Huniversitários, além dos colaboradores da instituição e convidados, reuniram-se em um momento de agradecimentos e homenagens àqueles que ao longo dos anos contribuíram com esforço e trabalho para o desenvolvimento da chamada “escolinha”.

 

 
Deu-se início à solenidade com a apresentação do Coral da Santa Casa de Misericórdia que emocionou a todos os presentes.  A Professora Sílvia Bomfim Hyppólito, Coordenadora do Núcleo de Estudos em Saúde Reprodutiva (NESAR), iniciando os pronunciamentos, relembrou os momentos marcantes e ensinamentos que adquiriu de cada um dos ex-diretores e deixou ainda sua mensagem de otimismo para a instituição. “À querida MEAC, que mesmo sendo uma cinquentona, passando por tantas reformas, sei que mostrará a que veio porque tem raça e apego”, expôs.

 

Antes da entrega das homenagens aos colaboradores, o então Diretor Assistencial da MEAC, Prof. Carlos Augusto Alencar Junior, agradeceu a todos que proporcionaram que aquele momento acontecesse, a exemplo do Serviço de Recursos Humanos, demais setores e alguns patrocinadores. “Esse momento é para prestigiar nossos colaboradores, porque esta casa só existe graças ao amor, ao afinco, à garra de cada um que aqui trabalha. Todos honram verdadeiramente esta instituição e, em virtude do cargo que ora ocupo, percebo isso diariamente, pois apesar da diminuição crescente de funcionários e das dificuldades financeiras, temos conseguido, a duras penas, levar assistência de qualidade à população. Nesse momento agradeço a todos que fizeram e fazem a história da MEAC”, disse.

Finalizando os discursos, o então Superintendente dos Hospitais Universitários, Dr. Florentino Cardoso, lembrou que o momento era de festa e que o futuro reserva novos desafios. “Precisamos sempre imaginar que passamos pelas instituições e elas precisam ser cada vez melhores. O desejo de todos nós é que possamos adiante comemorar 60, 70 e vários outros anos, mesmo porque a instituição perdura e nós passamos. O gratificante é passar e deixar boas marcas e certamente todos os diretores que por aqui passaram, deixaram boas marcas”, disse.

 

Homenagens

Após os pronunciamentos, colaboradores que prestaram serviço à maternidade há muitos anos, foram homenageados com recebimento de uma placa em agradecimento. Uma dessas homenageadas foi D. Maria José Oliveira, que há 49 anos presta serviço de apoio às gestantes, no passado como parteira e há 13 anos como Doula. “Realizo um trabalho que me deixa muito feliz, muito mesmo. Chego aqui às 7h da manhã, só preciso ficar por 3h, mas só vou embora quando vejo que a mãezinha está bem. Adoro esse tipo de trabalho, de cuidar das mãezinhas e dar conforto a elas. Hoje então, estou mais feliz ainda com a homenagem”, disse.


 

Além de D. Maria José Oliveira, outros 17 profissionais das diversas áreas foram homenageados, dentre eles os ex-diretores e o atual diretor da instituição. As comemorações seguiram durante todo o dia com o tradicional parabéns à MEAC, almoço para os colaboradores, exposição de fotos, sorteio de brindes, contação de histórias sobre as boas lembranças vivenciadas na instituição pelos colaboradores e o descerramento da placa em homenagem aos 50 anos.

Museu do Parto

O Museu do Parto, localizado na Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC), foi criado em homenagem ao falecido professor José Galba Araújo, que tanto lutou pela melhoria da qualidade da assistência obstétrica. O museu contém curiosas e interessantes peças de elevado valor antropológico que ilustram o modo como eram realizados os partos em diferentes regiões do interior do Ceará. O “Sofredouro”, por exemplo, acomodava as gestantes durante o período de dilatação, e, durante o período expulsivo, uma corda era amarrada a uma das quinas para permitir à parturiente assumir uma posição mais inclinada.

Pode-se conhecer ainda a vértebra de uma baleia que encalhou em Cumbuco e que passou a ser usada pelas gestantes da cidade como banco de parto, pois elas acreditavam que a criança que ali nascesse seria agraciada com um futuro repleto de sorte. Estão expostas também a cama obstétrica desenvolvida pelo próprio professor Galba e algumas ferramentas obstétricas ainda hoje utilizadas, como os fórcepes de Piper e de Simpson.

 

O Museu é aberto, semanalmente, às sextas-feiras das 12h às 14h para visitação pública, período durante o qual pacientes, acompanhantes, visitantes e os próprios funcionários da maternidade poderam conhecer um pouco mais sobre a vida e trabalho do professor Galba, bem como ver de perto as curiosas peças e suas respectivas histórias.

 

                                                                           

José Galba Araújo
 

Nascido em Sobral e formado em medicina pela Universidade Federal da Bahia, Galba Araújo especializou-se em Ginecologia e Obstetrícia em Michigan, Estados Unidos. Dotado de forte espírito de liderança, assumiu a direção da Maternidade Escola Assis Chateubriand(MEAC) de 1964 a 1985, sendo convidado à presidência de várias associações médicas, como a Sociedade Cearense de Ginecologia e Obstetrícia.

Sempre voltado para a medicina social, propôs, além da humanização do parto, uma atenção à saúde descentralizada e hierarquizada, melhorando o atendimento à população. O Ministério da Saúde, em reconhecimento e homenagem ao seu trabalho, criou o Prêmio Galba Araújo, concedido às melhores unidades de atendimento obstétrico e neonatal. 

Parto Humanizado

O parto humanizado valoriza a participação ativa da gestante durante o parto, respeitando a individualidade de cada parturiente. Várias condutas buscam promover um parto mais saudável, reduzindo os riscos à saúde da mãe e do neonato, como o aleitamento logo após o nascimento e o estímulo à adoção da posição vertical no período expulsivo, facilitando a saída da criança pelo canal vaginal e reduzindo os danos ao organismo materno. Essas medidas também tendem a naturalizar o parto o máximo possível, minimizando a intervenção médica e evitando técnicas desnecessárias. O processo de humanização também defende a presença de um acompanhante durante o parto, contribuindo para o fortalecimento dos laços familiares, criando, assim, um ambiente mais aconchegante para a chegada do novo ser.